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APÁTRIDA - Ana Paula Bergamasco


Editora Todas as Falas. 338p.
Classificação: 

SinopseUma pequena vila na Polônia. Uma menina repleta de vida. Um encontro. Vidas ceifadas. Sonhos destruídos. Infâncias roubadas. As recordações da personagem Irena amarram o leitor na História do Século XX. Baseado no estudo dos fatos que marcaram a época, o palco da narrativa é a conturbada Europa pós Primeira Guerra Mundial, culminando com a eclosão da Segunda Grande Guerra e a destruição que ela provocou na vida de milhões de pessoas. A narradora conduz a exposição em primeira pessoa, e remete o leitor a enxergar, através de seus olhos, o cotidiano a que ficou submetida. É um relato humano, sincero e envolvente que revela a passagem da vida infantil e feliz da menina, para o tumulto da existência adulta, cheia de contradições.
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Como começar esta resenha? Como falar de algo tão atroz?


Bem, em Apátrida, temos a história de Irena, a caçula de uma numerosa família polonesa. Morava com os pais e os seis irmãos numa pequena propriedade que era da família havia muitas gerações. A história começa desde sua infância, contada por ela mesma, antes da Segunda Guerra Mundial e segue até os anos depois da guerra.

É muito difícil tentar escrever algo sem me emocionar. Mais ainda, sem soltar spoilers. Mas vamos tentando.

Com uma história de várias perdas desde a tenra idade, Irena nos leva para dentro de sua época, fazendo com que vivamos, junto a ela, todos infortúnios passados por sua família: as dificuldades financeiras, mortes, perdas de pessoas queridas...
Mais tarde, um tempo de refrigério em meio a tanta infelicidade já vivida. E depois do curto tempo de refrigério, o inferno trazido pelos horrores da guerra e a dizimação do povo judeu.

Temos uma descrição muito bem feita do arremedo de vida a que aquele povo foi submetido. É impossível conter as lágrimas durante a leitura. Eu tive que parar várias vezes para poder chorar e me desfazer do aperto no peito antes de continuar a ler. E confesso que agora, ao escrever esta resenha, estou chorando de novo.
Os guetos onde milhares de judeus eram obrigados a viver em meio a fome e as mais variadas doenças, o tratamento dos alemães para com eles e a maneira como o exército de Hittler matava crianças, grávidas e pessoas idosas, sem o mínimo de piedade... O horror é indescritível.

Eu não sei o motivo, mas desde os meus tempos de escola eu sou aficionada a esse tema. Já vi vários filmes, documentários, tenho vários livros a respeito... Inclusive, já resenhei um aqui no blog: A Guerra de Clara (clique no nome do livro para ler a resenha). Mas, diferente de Apátrida, A Guerra de Clara é uma história real, bem ao estilo Anne Frank – que eu também já li e já resenhei aqui.

Bem, no livro, a narrativa intercala os períodos do passado e do presente de Irena. É no presente, depois de tanta crueldade vivida, que ela resolve falar sobre tudo o que vivera, contando sobre a Polônia, a vida na Bielorrússia e, posteriormente, nos campos de concentração.
Como eu já disse, Apátrida é um livro de ficção. Uma história de amor e de sonhos destruídos pelas atrocidades da guerra. Mas o cenário para essa história foi real. Muito real. E eu tenho certeza de que muitas Irenas e Jacobs viveram tudo isso de verdade, sofrendo a perda dos seus amados e sendo submetidos a todo tipo de crueldade... E isso me comoveu de tal maneira, que por muito tempo ficarei com a presença dos personagens na minha mente.

A guerra terminou há muito tempo. Para nós, que só sabemos dela pelos livros. Mas para aqueles que passaram por ela e, de alguma maneira sobreviveram a tudo aquilo, ela continua lá, bem viva, marcada indelevelmente na alma dessas pessoas.

Meus parabéns e total admiração à Ana Paula Bergamasco, por tão rica obra e por me presentear com um livro tão precioso.

E meus mais sinceros sentimentos a todos aqueles que passaram por esse período negro da história e perderam suas famílias, sua terra natal e sua paz.

Continuo chorando.


A autora

Paulista, descendente de imigrantes italianos e espanhóis, Ana Paula sempre buscou compreender as adversidades que os assolaram quando aportaram no Brasil. Cursou direito na Faculdade de Direito da USP. Nesta, desenvolveu projeto de pesquisa na área de direito internacional cujo objeto de estudo foi a possibilidade da pessoa humana ter direitos perante o sistema jurídico internacional. Recebeu uma menção honrosa da USP e participou de um Congresso da Rutgers University - USA. Cursou pós-graduação de Direito Tributário na PUC-SP e Direito Contratual no IICS_CEU, onde hoje é professora. É mestranda em Direito na USP. Contudo, a ideia de realizar um sonho de infância e transformar todo o estudo histórico num romance somente veio a se concretizar agora, com o lançamento de Apátrida. Feliz, afirma que com ele, de certa forma, completou um ciclo de sua vida. A árvore já havia plantado, ainda criança, no jardim de sua doce avó materna. Filhas, ela possui duas, que lhe deram a plenitude de ser mulher. Com Apátrida, inicia uma nova fase: além de mãe, advogada e mestranda, a de escritora. E, para sua surpresa, com o reconhecimento de ser o livro finalista do Prêmio SESC de Literatura de 2009.


Twitter: @anabergamasco 


PROMOÇÃO RELÂMPAGO

*Vou sortear um exemplar de O Mundo de Vidro (CLIQUE PARA LER A RESENHA) entre os leitores que seguirem o blog e comentarem este post até as 17h00 de quarta-feira, dia 02 de Fevereiro.
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