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Resistência - Affinity Konar

Título original: Mischling
Autora: Affinity Koar
Editora: Fábrica 231
Páginas: 319


"Tarde da noite, quando Pearl dormia profundamente, com a consciência a uma distância segura da minha, eu pensava naqueles minúsculos pedaços de mim e imaginava se nossos sentimentos permaneciam neles, apesar de serem meras partículas. Imaginava se os pedaços se detestavam por participarem daquelas experiências. Achava que sim. E desejava dizer para eles que não tinham culpa, que não era uma colaboração voluntária, que tinham sido sequestrados, coagidos, que tinham sofrido isso. Mas então entendi que tinha pouca influência sobre esses pedaços - depois de serem tirados, só atendiam à natureza e à ciência, e ao homem que dizia ser nosso Tio. Não podia fazer nada pelo bem desses numerosos e minúsculos pedaços."


No começo da história, somos apresentadas a Pearl e Stasha, duas irmãs gêmeas, de doze anos, com seu avô e sua mãe num vagão onde antigamente se transportava gado. Eles estão a caminho dos campos, onde prometeram-lhes que havia uma vida melhor e trabalho. Durante a viagem, as irmãs tentavam aplacar a fome lambendo uma cebola. Sim, lambendo, pois, se a mordessem e mastigassem, ela acabaria logo e elas continuariam com fome.
Ao chegarem ao seu lugar de destino, chamado Auschwitz, todos são recepcionados por uma música alegre, guardas cruéis e uma figura muito simpática, sorridente e toda de branco que, na visão das meninas, parecia um anjo numa terra estranha.
Logo na chegada as irmãs foram separadas de seu avô e sua mãe. Enquanto eles iriam para outro local, elas ficariam ali com o anjo sorridente que insistia em ser chamado de “Tio”. Ele e seus guardas separavam todos os filhos gêmeos de seus pais e as crianças iam todas para um lugar ao qual se referiam como zoológico. No entanto, essas crianças, dizia o Tio, eram especiais e, sendo assim, elas recebiam um tratamento e rações de comida um pouco melhores que os demais no campo. Mas era apenas um pouco.
Esse tratamento e a constante presença sorridente do Tio, sempre brincando com elas, sendo gentil e tentando agradá-las, fez com que ambas pensassem que elas e todos os gêmeos ali, por algum motivo, eram especiais. E eram mesmo. Mas não como elas imaginavam.
Antes de continuar a resenha, deixem-me apresenta-los ao Tio propriamente: seu nome era Josef Mengele.
Por todo o tempo em que estiveram no zoológico, Pearl e Stasha, e todas as outras crianças, eram sujeitas às mais perversas experiências de Mengele. Ele tinha a ideia fixa de que crianças gêmeas eram diferentes das outras pessoas “normais” e, com suas experiências, tentava descobrir quais eram os segredos de seu DNA. Tais experiências consistiam em jogar água fervente no ouvido dessas crianças, pingar soluções venenosas em seus olhos para cegá-las, costurar gêmeos um ao outro, pelas costas, apenas para ver o que acontecia e muitas outras atrocidades.
Pra mim, a narrativa se divide entre dois mundos: o mundo de Mengele e suas experiências, e o mundo criado por Pearl e Stasha.
As gêmeas sempre sentiam e pensavam as mesmas coisas, tanto que eram capazes de, frequentemente, adivinhar o pensamento, sentir a dor e completarem frases uma da outra. Nos primeiros dias em Auschwitz, elas mantiveram essa ligação. No entanto, depois de algum tempo, tornou-se muito difícil para Pearl não notar o mundo de Mengele e perceber o quanto a realidade era cruel à sua volta. Não sabemos ao certo o que Mengele fez com ela, mas a cada dia ela definhava e começava a ter a aparência de quem estava prestes a morrer.
Stasha também tinha sua parte de sofrimento. Assim como a irmã, ela era frequentemente levada ao laboratório do Tio para satisfazer suas perversidades. No entanto, ao contrário de Pearl, quanto mais ela via a crueldade ao seu redor, mais ela fugia para dentro de si e se escondia em seu mundo particular, onde ela tinha explicação para todas as coisas e planejava seu futuro.
À sua maneira, cada uma precisou desenvolver uma força de vontade muito grande para continuar vivendo no zoológico até que a guerra acabasse.

Eu sempre fui muito interessada a tudo o que diz respeito às Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Leio e assisto a tudo o que aparece sobre esse assunto e sempre me emociono muito com relatos de sobreviventes.
Até mesmo quando o livro é de ficção, eu consigo me emocionar. No entanto, não foi esse o caso com Resistência. Claro que me emocionei com os relatos de horror da narrativa, mas não me conectei à história, nem aos personagens.
A autora quis escrever um livro sobre o que acontecia nos campos de concentração e, ao mesmo tempo, acrescentar a poesia à sua escrita. O livro tem capítulos alternados entre as perspectivas de Pearl e Stasha, e nós podemos perceber mais claramente essa intenção da autora quando a história é narrada por Stasha. O problema é que eu não fui convencida.
Eu bem sei que é verdadeira essa ligação entre gêmeos, que às vezes um é mesmo capaz de sentir a dor do outro, que podem ficar doentes da mesma forma ao mesmo tempo e coisas desse tipo. Porém, pra mim, a dependência de Stasha em relação a Pearl foi exagerada. Nem mesmo eu “vestindo minha capa de criança de doze anos” e tentando ver o cenário e a situação por essa perspectiva, eu consegui engolir essa dependência. Pearl era bem diferente nesse aspecto e às vezes chegava até a se irritar com a irmã por causa disso. E foi justamente Stasha quem não me permitiu gostar mais do livro.
Eu entendi a intenção da autora, mas acho que ela poderia ter explorado esse personagem de uma maneira melhor, mais verossímil.
Mas meu descontentamento com a personagem não me impediu de gostar do livro e de recomendá-lo a vocês.
Se você é fã desse tipo de literatura, Resistência é mais um título que precisa estar na sua estante.


Ps: Pra quem se interessa e ainda não viu, há um documentário do History Channel sobre Mengele. Para assisti-lo, basta clicar aqui. Sua loucura era tanta que, dos cerca de 3 mil gêmeos que entraram em Auschwitz, apenas 183 sobreviveram.


Os feiticeiros da tempestade - Philippa Gregory

Título original: Stormbringers
Autora: Philippa Gregory
Editora: Galera Record
Série: Ordem da Escuridão - livro 2
Gênero: Ficção Histórica
Páginas: 303


"- Seu irmão está aqui? - Perguntou Freize, olhando em volta. Tem um irmão mais velho? Alguém que cuida de você?Ela balançou a cabeça.- Não, agora ele está morto. Contraiu febre e morreu uma noite...- Que tipo de febre? - perguntou, desconfiado...- Não sei. Não importa, não me aflijo, pois verei meu irmão de novo, quando ele ascender dos mortos. Johann disse que ele nos encontrará na Terra Prometida, onde os mortos ressuscitam e os maus ardem no fogo.."



Luca Vero, seu servente Freize e seu copista, irmão Peter, continuam viajando pela Europa investigando sinais em busca do fim dos tempos. Acompanhados por Lady Isolde e sua serva e amiga Ishraq, eles chegam a Piccolo, uma pequena aldeia na Itália, à beira de um porto, para descansar por alguns dias e esperar por novas instruções da Ordem da Escuridão.
Quando estavam prontos para partir no dia seguinte, chegam à aldeia milhares de crianças entre 5 e 15 anos, todos descalços, famintos, liderados por um jovem rapaz a quem chamam de Johann, o Bom.
Ele é um garoto humilde, calado, que só tem palavras para falar de Deus e de sua missão. Ele conta que não passa de um simples pastor de cabras que ouviu a voz de Deus várias vezes e tudo o que fez foi seguir Sua vontade e Suas orientações, e que nunca recrutou criança nenhuma para segui-lo, elas simplesmente decidiram por si só.
Ao conversar com Johann e vê-lo pregar, tanto Luca quanto irmão Peter – e todos da aldeia – estão convencidos de que ele realmente foi escolhido por Deus para liderar aquelas crianças até Jerusalém, onde o dia do juízo aconteceria e todos iriam rever seus parentes perdidos e amados. Fora isso, ele também fala coisas da vida de Luca, Isolde e Ishraq sem que eles jamais tenham contado nada a ele, e os emociona tanto – inclusive Freize e irmão Peter – que todos decidem seguir Johann em sua peregrinação até Jerusalém para verem do que mais ele é capaz e o que realmente está para acontecer.
Mas há mais uma coisa que Johann lhes garante: que Deus prometeu que barco nenhum irá levá-los. Assim como no Êxodo, quando o mar se abriu para que o povo de Israel passasse para fugir do Egito, o mar também se abrirá para que Johann e seus peregrinos passem e cheguem até Jerusalém com os pés secos.
Apesar de estar completamente convencido de que o rapaz foi enviado por Deus, Luca simplesmente não consegue acreditar que isso irá de fato acontecer.
Será que o mar realmente vai se abrir para que os peregrinos cheguem a Jerusalém?
Este é o segundo livro da série Ordem da Escuridão. Já li o primeiro, O Substituto, e dei 3 estrelas, porque a história era boa, mas faltou algo ali que me ganhasse. Foi por isso que decidi dar mais uma chance e ler o livro seguinte, pois sei que às vezes os primeiros livros de uma série/trilogia não são tão bons, mas que a história fica melhor nos demais.
Já este livro foi um pouco melhor. Tem mais ação, mais elementos históricos e um desenvolvimento bem maior dos personagens.
Freize, por exemplo, não era nem de longe um personagem relevante pra mim no primeiro livro. No entanto, neste segundo, nós descobrimos muito mais a respeito dele e fiquei surpresa ao perceber que mudei de opinião e do quanto gosto dele agora. Ele é hilário, me arrancou algumas gargalhadas em várias ocasiões, e também é muito amoroso, doce e leal.
Luca também melhora. Nós ficamos sabendo um pouco mais sobre seu passado e o que aconteceu a seus pais, e o que o levou a viver num monastério e entrar para a Ordem. Também percebemos o quanto sua mente e seu coração estão confusos, pois ele realmente gosta de Isolde e já não tem mais certeza de que quer mesmo se tornar um monge.
Ishraq ganha um espaço maior na história e nos mostra mais de si mesma, de suas crenças e de sua força.
E Isolde, apesar de doce e gentil, continua muito inocente e isso acaba causando um grande atrito entre ela e Ishraq.
Para os padrões de 1453, Philippa Gregory fez um ótimo trabalho. Mas infelizmente ainda falta algo. Apesar de este segundo livro ter mais ação, a narrativa ainda é lenta e traz muitos detalhes desnecessários. Eu, que geralmente não levo mais que 3 ou 4 dias pra ler um livro, levei 2 semanas para terminar este.

A história retrata muito bem a ignorância das pessoas e os absurdos nos quais elas acreditavam na época e os personagens são bem coerentes com todo esse cenário, mas ainda continua faltando alguma coisa ali pra história me ganhar. 
No entanto, acredito que os ávidos fãs de ficção histórica irão gostar muito da série. 



Livro anterior: 

Oulander: a viajante no tempo - Diana Gabaldon

Título original: Outlander
Autora: Diana Gabaldon
Editora: Saída de Emergência
Série: Outlander - livro 1
Páginas: 800

"– Você tem livre-arbítrio, assim como todas as outras pessoas neste mundo. E a história, acredito, é a soma de todas essas ações. Alguns indivíduos são escolhidos (...) para afetar os destinos de muitas pessoas. Talvez você seja uma delas. Talvez não. Não sei por que você está aqui. Você não sabe. Provavelmente nenhum de nós jamais saberá."



1945.
Claire, uma enfermeira inglesa, e seu marido Frank Randall, professor de História, passaram 6 anos separados por causa da guerra. Ela teve de servir como enfermeira e ele na unidade de emergência. Não fazia muito tempo que estavam casados quando isso aconteceu.

Agora que a guerra havia acabado, eles resolveram fazer uma viagem romântica para as Terras Altas, na Escócia, para reavivar o amor e reacender a paixão.

Frank, que era apaixonado por tudo o que fosse relativo à História, também aproveitaria para estudar sua árvore genealógica e descobrir mais sobre seus ascendentes escoceses.

Enquanto ele estudava e pesquisava, ela passava seu tempo livre percorrendo os campos e estudando as plantas, que era uma coisa que ela adorava fazer.

Certo dia, numa dessas andanças, ela chega até Craigh na Dun, uma colina onde havia um grande círculo de rochas que era considerado sagrado e onde ainda eram realizadas certas cerimônias celtas.

Claire começa a andar pelo local, explorando tudo, tocando... até que ela pensa ter ouvido um zumbido vindo do interior de uma das rochas. Ao se aproximar para verificar, acontece algo que ela jamais julgaria que fosse possível.

Depois de uma sequência de zumbidos e ruídos estranhos, Claire, que aparentemente havia perdido os sentidos, abre seus olhos e percebe que está no meio de uma floresta e, para seu horror, descobre que naquele exato instante está havendo uma batalha entre ingleses e escoceses. À “moda antiga”, com floretes, pistolas e espadas.

Ao tentar fugir, acaba caindo nas garras do inescrupuloso capitão – e antepassado de seu Frank – Randall, logo em seguida sendo sequestrada por um bando que ela nem fazia ideia de quem era.

Depois de concluir que não tinha ficado louca, só havia uma resposta possível para Claire: ela havia atravessado a fenda da rocha e voltado tempo, indo parar no ano de 1743.

Com o passar do tempo, Claire descobre que o bando que a sequestrou faz parte do clã Mackenzie, um clã muito conhecido e temido naquelas terras.

Muitas coisas acontecem e Claire acaba ficando no castelo de Leoch, lar dos Mackenzie, e, enquanto não descobria uma maneira de voltar para casa, acabou se tornando a enfermeira/curandeira do local.

Cada um tinha uma opinião a respeito de Claire, mas a que imperava era que ela era uma espiã e, por isso, era vigiada dia e noite no castelo.

Tudo ia muito bem – ou algo do tipo – até que Claire acaba conhecendo e ficando próxima de Jamie Fraser, sobrinho dos Mackenzie, e um ruivo muito, muito atraente e corajoso.

A partir dessa amizade inesperada, outros sentimentos e muitas outras aventuras e absurdos farão parte da vida de Claire.

Eu nunca havia lido nada de Diana Gabaldon até o momento, este foi o primeiro livro e tenho que dizer que a autora já me ganhou.

Outlander é tão bem-escrito, tudo é tão bem amarrado, que por várias vezes eu me surpreendi prendendo a respiração, agoniada com o que poderia acontecer.

Claire é uma mulher forte, inteligente e cativante. Jamie, com seu jeito de caipira, mas todo ingênuo e meigo – e lindo! – ganha nosso coração sem nenhum esforço.

Os diálogos são inteligentes, bem-construídos e, muitas vezes, bem-humorados.

E a pesquisa histórica é um show à parte, devo ressaltar. As descrições são muitas – e cansativas às vezes, confesso – e nos permitem realmente visualizar todas as cenas.

Adorei este primeiro livro e estou ansiosíssima para continuar a ler a série que, até agora, conta com 8 livros.

Recomendo muito!



E como tem acontecido bastante ultimamente, esta é uma série que acabou ganhando uma série de TV. Eu ainda não assisti, vou começar a assistir agora, pois queria ler o livro antes, mas quem já assiste diz que é muito boa! Abaixo o trailer:





O LIVRO PERDIDO DAS BRUXAS DE SALEM - Katherine Howe


Título original: The Physick Book of Deliverance Dane
Autora: Katherine Howe
Editora: Obetiva  - Suma de Letras
Páginas: 357
Classificação: 

Sinopse: Connie Goodwin queria que 1991 fosse um ano exclusivamente dedicado aos estudos para sua dissertação de mestrado em Harvard. No entanto, por insistência de sua mãe, acaba indo para o interior do condado de Essex cuidar da reforma da casa da avó. Assim que se estabelece no antigo casarão, começa um mergulho inevitável no passado daquele lugar e fica especialmente interessada pela figura de Deliverance Dane, uma mulher reconhecida em sua época por curar doentes, receitando remédios e poções. É no condado de Essex que fica a famosa cidade Salem, palco dos históricos julgamentos de 1692, quando mais de 150 pessoas foram presas e acusadas de bruxaria e mais de vinte condenadas à forca. O episódio, considerado um dos mais infames da história dos Estados Unidos, ficou marcado como um triste exemplo de histeria coletiva, disseminada por uma comunidade em busca de vingança. A pesquisa acadêmica sobre esse período e a busca pessoal de Connie por detalhes da vida de Deliverance Dane se cruzam ao longo de O Livro Perdido das Bruxas de Salem. Em certo momento, Connie tem certeza da existência de um "livro perdido" que guardaria os segredos da misteriosa personagem. Seriam remédios? Feitiços? A solução desse enigma é o grande impulso da história do livro, que investiga até onde pode ir o preconceito de uma sociedade contra alguns dos seus membros. "No período anterior à Revolução Científica, a conexão entre fé, saúde e ciência era bem escorregadia", acrescenta Katherine.




Connie Goodwin é uma jovem determinada que sabe muito bem o que quer: terminar seu doutorado em Harvard. É uma estudante muito aplicada e dedicada às pesquisas, mais especificamente sobre História.

Enquanto Grace, sua mãe, é toda voltada para o lado espiritual e místico da vida, sempre falando em energias, auras e afins, Connie é completamente cética e racional, sempre acreditando que a ciência e os fatos podem provar tudo. No entanto, é justamente com as ideias doidas de sua mãe que Connie receberá a ajuda que tanto precisará para descobrir mais sobre si mesma e para salvar o homem por quem está apaixonada.

A pedido de Grace, Connie vai passar o verão em uma casa muito antiga que pertencia a sua avó, nos arredores de Salem. A desculpa era que ela precisava resolver umas pendências com a prefeitura a respeito dos impostos e dar um jeito de vendê-la. Porém, eu acho que foi a maneira que a safadinha da Grace encontrou pra fazer Connie conhecer seu destino.

A casa estava um caos! Escondida em meio a toda sorte de plantas exóticas, caindo aos pedaços, toda suja de cima a baixo. Durante a árdua limpeza, Connie acaba encontrando uma Bíblia muito antiga, com uma chave escondida dentro dela e um papel preso a essa chave, onde lia-se o nome Deliverance Dane.

Pouco a pouco, investigando aqui e ali, Connie percebe que tem uma fonte original sobre a caça às bruxas ocorrida em Salém, no ano de 1692. Acaba por descobrir o diário de uma descendente de Deliverance Dane, o que a deixa animadíssima para apresentar tudo isso em sua tese do doutorado.

Porém, quanto mais ela pesquisa, mais ela se envolve com a família Dane e começa a descobrir coisas sobre seu passado e sobre si mesma, que até então ela não sabia. Paralelamente, coisas estranhas começam a acontecer, ela tem sua casa invadida e descobre que alguém está muito interessado em colocar as mãos no precioso diário, mas ela não tem ideia de quem possa ser.

No meio de tudo isso, ela conhece Sam, um restaurador lindo e fofo que está trabalhando na restauração de uma igreja ali perto. Ambos começam uma amizade e é só questão de tempo até engatarem num romance. Sam também a ajuda em suas pesquisas e, por causa do diário, acaba sofrendo sérias consequências.

Esse livro tem de tudo: romance, mistério, ação, história e um pouco de magia, o que o torna muito interessante! A autora é descendente de uma das mulheres mortas no episódio sangrento de Salem e fez uma pesquisa muito rica para colocar no livro. Eu, que gosto de História, fiquei simplesmente encantada com essa parte.
Demorei a me interessar pela história, mas depois a leitura fluiu e eu acabei gostando muito!
Recomendo!

Esta resenha foi feita para o item 2 do Desafio Realmente Desafiante:
- Ligar para um amigo, ou mandar uma mensagem no face, e pedir uma indicação de livro. Se você não tiver o livro, NÃO VALE COMPRAR, peça emprestado. Quem escolheu pra mim foi a Camis.


APÁTRIDA - Ana Paula Bergamasco


Editora Todas as Falas. 338p.
Classificação: 

Sinopse: Uma pequena vila na Polônia. Uma menina repleta de vida. Um encontro. Vidas ceifadas. Sonhos destruídos. Infâncias roubadas. As recordações da personagem Irena amarram o leitor na História do Século XX. Baseado no estudo dos fatos que marcaram a época, o palco da narrativa é a conturbada Europa pós Primeira Guerra Mundial, culminando com a eclosão da Segunda Grande Guerra e a destruição que ela provocou na vida de milhões de pessoas. A narradora conduz a exposição em primeira pessoa, e remete o leitor a enxergar, através de seus olhos, o cotidiano a que ficou submetida. É um relato humano, sincero e envolvente que revela a passagem da vida infantil e feliz da menina, para o tumulto da existência adulta, cheia de contradições.
__________________________

Como começar esta resenha? Como falar de algo tão atroz?


Bem, em Apátrida, temos a história de Irena, a caçula de uma numerosa família polonesa. Morava com os pais e os seis irmãos numa pequena propriedade que era da família havia muitas gerações. A história começa desde sua infância, contada por ela mesma, antes da Segunda Guerra Mundial e segue até os anos depois da guerra.

É muito difícil tentar escrever algo sem me emocionar. Mais ainda, sem soltar spoilers. Mas vamos tentando.

Com uma história de várias perdas desde a tenra idade, Irena nos leva para dentro de sua época, fazendo com que vivamos, junto a ela, todos infortúnios passados por sua família: as dificuldades financeiras, mortes, perdas de pessoas queridas...
Mais tarde, um tempo de refrigério em meio a tanta infelicidade já vivida. E depois do curto tempo de refrigério, o inferno trazido pelos horrores da guerra e a dizimação do povo judeu.

Temos uma descrição muito bem feita do arremedo de vida a que aquele povo foi submetido. É impossível conter as lágrimas durante a leitura. Eu tive que parar várias vezes para poder chorar e me desfazer do aperto no peito antes de continuar a ler. E confesso que agora, ao escrever esta resenha, estou chorando de novo.
Os guetos onde milhares de judeus eram obrigados a viver em meio a fome e as mais variadas doenças, o tratamento dos alemães para com eles e a maneira como o exército de Hittler matava crianças, grávidas e pessoas idosas, sem o mínimo de piedade... O horror é indescritível.

Eu não sei o motivo, mas desde os meus tempos de escola eu sou aficionada a esse tema. Já vi vários filmes, documentários, tenho vários livros a respeito... Inclusive, já resenhei um aqui no blog: A Guerra de Clara (clique no nome do livro para ler a resenha). Mas, diferente de Apátrida, A Guerra de Clara é uma história real, bem ao estilo Anne Frank – que eu também já li e já resenhei aqui.

Bem, no livro, a narrativa intercala os períodos do passado e do presente de Irena. É no presente, depois de tanta crueldade vivida, que ela resolve falar sobre tudo o que vivera, contando sobre a Polônia, a vida na Bielorrússia e, posteriormente, nos campos de concentração.
Como eu já disse, Apátrida é um livro de ficção. Uma história de amor e de sonhos destruídos pelas atrocidades da guerra. Mas o cenário para essa história foi real. Muito real. E eu tenho certeza de que muitas Irenas e Jacobs viveram tudo isso de verdade, sofrendo a perda dos seus amados e sendo submetidos a todo tipo de crueldade... E isso me comoveu de tal maneira, que por muito tempo ficarei com a presença dos personagens na minha mente.

A guerra terminou há muito tempo. Para nós, que só sabemos dela pelos livros. Mas para aqueles que passaram por ela e, de alguma maneira sobreviveram a tudo aquilo, ela continua lá, bem viva, marcada indelevelmente na alma dessas pessoas.

Meus parabéns e total admiração à Ana Paula Bergamasco, por tão rica obra e por me presentear com um livro tão precioso.

E meus mais sinceros sentimentos a todos aqueles que passaram por esse período negro da história e perderam suas famílias, sua terra natal e sua paz.

Continuo chorando.


A autora

Paulista, descendente de imigrantes italianos e espanhóis, Ana Paula sempre buscou compreender as adversidades que os assolaram quando aportaram no Brasil. Cursou direito na Faculdade de Direito da USP. Nesta, desenvolveu projeto de pesquisa na área de direito internacional cujo objeto de estudo foi a possibilidade da pessoa humana ter direitos perante o sistema jurídico internacional. Recebeu uma menção honrosa da USP e participou de um Congresso da Rutgers University - USA. Cursou pós-graduação de Direito Tributário na PUC-SP e Direito Contratual no IICS_CEU, onde hoje é professora. É mestranda em Direito na USP. Contudo, a ideia de realizar um sonho de infância e transformar todo o estudo histórico num romance somente veio a se concretizar agora, com o lançamento de Apátrida. Feliz, afirma que com ele, de certa forma, completou um ciclo de sua vida. A árvore já havia plantado, ainda criança, no jardim de sua doce avó materna. Filhas, ela possui duas, que lhe deram a plenitude de ser mulher. Com Apátrida, inicia uma nova fase: além de mãe, advogada e mestranda, a de escritora. E, para sua surpresa, com o reconhecimento de ser o livro finalista do Prêmio SESC de Literatura de 2009.


Twitter: @anabergamasco 


PROMOÇÃO RELÂMPAGO

*Vou sortear um exemplar de O Mundo de Vidro (CLIQUE PARA LER A RESENHA) entre os leitores que seguirem o blog e comentarem este post até as 17h00 de quarta-feira, dia 02 de Fevereiro.

A DAMA AZUL (La Dama Azul) - Javier Sierra


Editora Planeta. 440p.
Classificação: 

O autor Javier Sierra nos oferece um fantástico romance de mistério e intriga sobre uma das lendas mais antigas e estranhas da América ? A Dama Azul

“Em Los Angeles, Jennifer Narody, antiga espiã do Departamento de Defesa, sonha repetidamente com uma fantasmagórica mulher vestida de azul. Jennifer não sabe, mas esse mesmo espírito apareceu, mais de três séculos antes, para os chefes de uma tribo indígena do Novo México. Ao que tudo indica, a verdadeira responsável por aqueles acontecimentos foi uma freira espanhola que podia bilocar-se, isto é, tinha a habilidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo. Enquanto isso, na Espanha, uma tempestade de neve deixa o jornalista Carlos Albert isolado no distante povoado de Ágreda. Lá, ele conhece o convento fundado no século XVII por aquela mulher de hábito azul. Intrigado com seus poderes, decide investigar. Esses fios, unidos pelo suposto suicídio de um sacerdote em Roma, levarão Carlos até Los Angeles, onde os pesadelos de Jennifer Narody guardam a chave de um mistério que a Igreja católica, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e outras misteriosas forças estão empenhados em ocultar. O segredo das bilocações da dama azul está em jogo.”

A narrativa não obedece uma ordem cronológica. Ela é feita em diversas linhas de tempo, alternando entre a catequização dos índios do Novo México nos anos de 1600 por uma misteriosa dama vestida de azul, a investigação do jornalista Carlos Albert, os sonhos de Jennifer e os mistérios do Vaticano com o padre Baldi, estes últimos, nos dias atuais.

Esses personagens nunca se cruzam ao longo da história, em tempo algum, mas todos têm uma coisa em comum: de alguma maneira, tiveram contato com a irmã Maria de Jesus de Ágreda – a Dama Azul.
A cada capítulo, um deles é o personagem central, trazendo-nos novas informações a respeito dessa misteriosa freira.

Javier Sierra, em seu livro, nos afirma que não há coincidências na vida, e que o que acontece com uma pessoa tem sempre uma causa oculta e que o acaso não existe. 

O intuito da Dama Azul em suas bilocações era converter os índios ao Cristianismo, sem que houvesse derramamento de sangue por causa da resistência dos índios em abandonarem seus costumes para acreditar no deus branco e a insistência do frades por apresentar-lhes à nova fé.
A incessante busca do padre Baldi por respostas, era a maneira de encontrar a mão dos anjos em nossas vidas, e para Carlos e Jennifer,  as respostas também eram importantes  para desvendar os vários mistérios que a ciência não pode explicar.

É uma ficção histórica, uma vez que Javier Sierra mistura fatos reais com tramas militares que nunca existiram. Mas o que me levou a ler esse livro foi justamente a curiosidade a respeito da freira de Ágreda, que realmente existiu (1602-1665) e que, segundo numerosos testemunhos, realmente visitou vários outros lugares e países sem nunca ter deixado o convento onde vivia.

Este é, sobretudo, um livro que debate a fé, tanto para os que a têm como para os que não a têm.

Mas eu recomendo a leitura.
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