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O pessegueiro - Sarah Addison Allen

Título original: The peach keeper
Autora: Sarah Addison Allen
Editora: Planeta
Páginas: 256


"Bem-vindo a Walls of Water, um lugar onde o aroma das flores envolve o ar e os pássaros parecem ter algo a dizer."


Em 1936, na cidade de Walls of Water, na Carolina do Norte, Georgie Jackson e Agatha Osgood eram melhores amigas. Setenta e cinco anos depois, suas netas, Willa Jackson e Paxton Osgood, encontram-se na estranha posição de tentar descobrir o que foi que realmente aconteceu para mudar a amizade entre suas avós no passado. E tudo isso é estranho porque Willa e Paxton não são amigas.

Devido a uma terrível descoberta durante a reforma de uma mansão que pertenceu à família de Willa no passado, ela e Paxton de que nada nem ninguém pode ser como parece.

Willa passou toda a sua vida tentando viver sob a fama de piadista que ela ganhou na época de escola. Paxton, cuja mãe foi presidente da sociedade feminina da cidade, está relutante em seguir esse mesmo caminho.

Colin Osgood, irmão de Paxton, é um rapaz que vai indo muito bem nos negócios e volta à cidade para ajudar a irmã a terminar a reforma da antiga mansão. Ao encontrar Willa, percebe que ela tornou-se uma pessoa muito diferente de quem era na escola e ficou muito surpreso com isso. E surpreso, também, com o fato de não conseguir tirá-la da cabeça.

Sebastian não teve muitos amigos na escola, além de ter sido rotulado de gay pelos alunos. Apesar de muitos anos já terem se passado, sua sexualidade continua um mistério para muitos, embora a maioria continue a afirmar – secretamente – que ele é gay. Bem, gay ou não, o fato é que ele é o melhor amigo e também amor da vida de Paxton. Ele finge que não sabe disso e ela finge que é só amizade, mas a verdade é que em algum momento eles terão de conversar sobre isso e decidirem o que vão fazer.

Tanto Willa quanto Paxton acabaram caindo na rotina diária de serem o que elas acham que as pessoas querem que elas sejam, ao invés de serem verdadeiras consigo mesmas. Foram necessários um esqueleto descoberto numa antiga mansão, muitos minutos passados num asilo, uma senhora corajosa e um empurrãozinho de alguns outros personagens para que essas duas descobrissem o rumo certo em suas vidas e conseguissem resolver todos os mistérios e problemas referentes a ambas as famílias Jackson e Osgood.


Este é o segundo livro de Sarah Addison Allen que eu leio e, assim como no anterior, eu encontrei um delicioso clima familiar e a necessidade de se preservar a história familiar dos personagens.

A trama foi baseada nos alicerces que Georgie e Agatha criaram com a força de sua amizade, e é justamente essa força – a da amizade – que Willa e Paxton encontrarão para seguir em frente. E o mais lindo de tudo isso é que todos os personagens as apoiam, de uma maneira ou de outra.

Uma coisa que eu pude diferenciar entre o primeiro livro da autora que eu li - Encantos no Jardim - e este, foi que, no primeiro, o elemento mágico estava presente na família da protagonista e tinha força mesmo nos dias atuais. Em O Pessegueiro, a mágica na história faz parte do passado, atribuída a um misterioso personagem que se utilizava de seus encantos em todos aqueles que confiassem nele. Mais tarde, essa mágica passou a envolver não só as pessoas à sua volta, como a cidade como um todo. Os pássaros, as árvores, as nuvens, até mesmo o ar eram mágicos. E agora, no presente, a mágica acabou tomando a forma de bondade.

Este é um livro sobre amor, família e, sobretudo, sobre o valor da amizade e a força com que ela pode transformar nossas vidas se nós permitirmos.

Enfim, não sei se consegui me fazer entender nesta resenha e mostrar a vocês tudo aquilo que senti – e que amei! – com a maravilhosa escrita de Sarah Addison Allen. Tudo o que posso dizer é que eu quero mais livros dessa mulher!

Recomendo muito!





Novembro, 9 - Colleen Hoover

Título original: November 9
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera
Páginas: 352

“Ela “me amava” nas cotações
Ela me beijou em negrito
EU TENTEI MANTER SUAS LETRAS em maiúsculas

Ela saiu com reticências…”



Em um 9 de Novembro de um ano qualquer, Fallon, 16 anos, era uma atriz famosa com um papel de protagonista numa série de TV. Até aquela noite.

Filha de pais divorciados, naquela noite ela estava na casa do pai, quando um terrível incêndio aconteceu, deixando com queimaduras graves por todo o corpo. Ela sempre culpou seu pai por isso, já que ele se esqueceu de que ela estava lá naquele dia.

Hoje, dois anos depois, também 9 de Novembro, ela está almoçando com seu pai num restaurante, não porque goste dele e tenha esse hábito, mas porque ela está se mudando de Los Angeles para Nova York, para tentar a vida nos palcos, e quer dar a notícia a ele.

Sua vida está bastante diferente. Depois do incêndio, Fallon ficou com grandes cicatrizes pelo rosto e o lado direito de seu corpo, o que fez com que ela perdesse o papel na série e não conseguisse nenhum outro trabalho na TV ou no teatro. E, além de sua carreira, o fogo também destruiu sua autoestima. Ela só usa o cabelo jogado na frente do rosto e blusas de mangas compridas, mesmo durante o calor. Resta-lhe agora trabalhar como narradora de audiobooks, um trabalho que seu pai – um renomado ator – abomina.

E é exatamente sobre isso que eles discutem agora. Seu pai não é nem um pouco dedicado ou amoroso e diz a ela sem dó que ela deve desistir da carreira de atriz porque ela já não tem mais beleza e isso é só o que importa nesse mundo.

Aturdida demais para dizer qualquer coisa, ela acaba se levantando e indo ao banheiro para poder respirar um pouco e colocar a mente no lugar. Ao retornar à sua mesa, ela percebe que, na mesa atrás da sua, há um garoto muito, muito bonito que, por alguma razão que ela desconhece, ele a está encarando e parecendo bastante feliz com o que vê. Pela primeira vez, ela se sente um pouquinho bem, pois um cara olhou pra ela e não virou o rosto quando viu suas cicatrizes.

Voltando ao almoço com seu pai, eles retomam a discussão. Seu pai, sem tato nenhum, acaba soltando que ela já nem é mais capaz de arranjar um namorado e a coisa está prestes a ficar bem feia, quando, do nada, o garoto da mesa ao lado surge pedindo desculpas pelo atraso, beijando-lhe o rosto e se apresentando ao pai dela como seu namorado, sussurrando para ela, em seguida, que entrasse no jogo dele.

Ben também tem 18 anos e é um aspirante a escritor em busca do romance perfeito para escrever seu livro. Sentado à mesa ao lado, ele não teve como se segurar e partiu em defesa daquela menina estranha para ele, mas que necessitava desesperadamente de alguém que a defendesse da insensibilidade de seu pai.

Quando o almoço termina, eles passam o restante do dia juntos e criam uma conexão muito forte. Nenhum dos dois quer se separar. Fallon já não quer tanto mais ir embora e Ben não quer que ela vá, mas ela precisa, pois Los Angeles já não tem mais lugar pra ela.

Assim, eles combinam de se encontrar todo ano no mesmo dia – 9 de Novembro – para dar continuidade ao seu romance e para que Ben possa registrá-lo e escrever seu primeiro livro contando sobre esse romance.


Não li todos os livros de Colleen Hoover ainda e, dentre os que li, Talvez um dia continua sendo o meu preferido dela. O que não quer dizer que eu não tenha adorado este, é claro.

É claro que a gente acha que já conhece a premissa. Um casal que só se encontra por um dia no ano e é com base nisso que se constrói seu romance. “Aham. Ok, já vi essa história”.

Sim, a premissa é parecida – e quantas mais não são? –, mas nem de longe é a mesma história.

Fallon era uma garota bem confiante e disputada antes do incêndio e hoje, dois anos depois, ela praticamente se esconde das pessoas e faz questão de não ser notada, embora, no seu íntimo, ela deseje isso ardentemente.

Bem é um garoto adorável que sofreu um golpe muito difícil da vida e andou bem perdido por um tempo por causa disso. Porém, ao encontrar Fallon, ele também encontra sua chance de se redimir e de recomeçar. E, ao contrário do que possa parecer, não é Ben que salva Fallon, mas ela que o salva. De muitas maneiras.

A narrativa do livro é em primeira pessoa e, a cada capítulo, alterna entre a visão de Fallon e de Ben e sempre retrata o 9 de Novembro do ano seguinte. Isso é bem legal, pois acompanhamos a evolução dos personagens e o desenrolar de suas vidas a cada ano, vendo o quanto eles amadurecem e como a visão que um tem do outro vai mudando com o passar do tempo.

E quando você acha que sabe o que vai acontecer, lá vem aquela reviravolta que só Colleen sabe dar em suas histórias. Aí você acha que sabe no que vai dar essa reviravolta e BUM!, ela acontece de novo e te pega de surpresa.

Se eu disser mais alguma coisa, vou acabar soltando spoiler dos grandes. Assim, termino minha resenha dizendo que, mais uma vez, Colleen Hoover não me decepcionou e me presenteou com mais uma história muito bem-escrita e cativante.


E é lógico que eu recomendo!


O primeiro dia do resto da nossa vida - Kate Eberlen

Título original: Miss you
Autora: Kate Eberlen
Editora: Arqueiro
Páginas: 432


“Minha mente vagueou pelos grandes pares românticos da literatura. Será que eles realmente tinham se encontrado porque estavam destinados um ao outro ou apenas porque moravam próximos?”


Tess e Gus foram feitos um para o outro. Só que eles não se encontraram ainda. E talvez nunca se encontrem.

Em 1997, a vida estava apenas começando para Tess. O livro começa no momento em que ela está curtindo sua viagem pela Itália com sua melhor amiga, Doll, durante as férias de verão. Apaixonada por arte, principalmente a das igrejas, Tess tem certeza de que um dia voltará àquele país tão encantador! Por ora, sua grande expectativa é voltar para a casa e começar as aulas na universidade. Ela quer muito estudar Artes e está muito feliz por ter conseguido uma vaga.

Porém, ao chegar em casa, ela recebe a terrível notícia: sua mãe, que já lutara contra o câncer e vencera uma vez, foi acometida pela doença novamente e desta vez não há o que fazer. Na verdade, ela já está na fase terminal. Com essa notícia, a vida de Tess ganha uma terrível reviravolta. Ela cancela a matrícula na faculdade e decide cuidar da mãe no pouco tempo de vida que lhe resta.

Quando a mãe morre, Tess se vê num dilema familiar. Sua irmã caçula, de 7 anos, Hope, tem um comportamento difícil e não é fácil de lidar com ela. Por esse motivo, seus irmãos sequer cogitam a ideia de cuidar de Hope, o que, sem que Tess possa evitar, acaba sobrando pra ela. Isso sem falar no pai ausente, que fica mais tempo no bar do que em casa.

Cuidando da irmã, não há a menor possibilidade de Tess ir para a faculdade, pois Hope tem a Síndrome de Asperger, vive tendo problema na escola e necessita de muita atenção. Assim, ela aceita que seu destino é deixar sua vida de lado e viver para sua irmã.

Também em 1997, a vida de Gus não ia nada bem. Durante as férias de verão na Itália com seus pais, ele tem que lidar com a morte de seu irmão mais velho, Ross, e com o fato de a presença dele ainda ser muito constante em sua vida, não porque ele gostasse do irmão – na verdade, ele achava que não gostava – , mas porque Ross sempre fora o preferido de seus pais e, mesmo ele estando morto, eles não param de falar nele e de comparar os filhos, deixando bem claro que Gus não era o melhor filho, era apenas o que sobrou e que eles teriam de se contentar com isso, embora não se contentassem de fato.

Para piorar, Gus vai para a universidade quando voltar de férias, não para estudar Artes, que era o que ele queria, mas para fazer Medicina, que ele odeia, por exigência de seu pai – afinal de contas, Ross também se formaria em Medicina se não tivesse morrido.

Tess, dedicando sua vida a cuidar de sua irmã, acaba esquecendo-se de si mesma e contentando-se com as migalhas que a vida reserva para si. Com o passar dos anos, muitas coisas lhe acontecem: problemas de relacionamento – amoroso e de amizade –, problemas com o pai, com os irmãos, com a própria Hope.... Muitos desafios e desapontamentos a encontrarão antes de ela poder ser feliz de verdade.

Para Gus não é diferente. Vivendo em Londres e longe de seus pais, ele começa a viver a vida com mais liberdade e sair da sombra de seu falecido irmão. Enquanto Tess lida com seus reveses, Gus também tem sua própria parcela de desafios para lidar, sempre relacionados a relacionamentos amorosos e familiares, até que, anos depois, sentindo-se perdido e sozinho, ele tem a oportunidade de tirar algumas férias de sua vida e ir de encontro à sua felicidade.  


O livro é narrado em primeira pessoa, sempre alternando os capítulos entre Tess e Gus. Primeiro vem o capítulo dela e depois vem o dele, contando o que lhe aconteceu no mesmo período narrado por Tess.

Durante a leitura dos primeiros capítulos deste livro, eu devo confessar que fiquei um pouco frustrada, pois tudo girava em torno da morte da mãe de Tess e do irmão de Gus. Mas, quando já estava na metade, eu me vi completamente imersa na história.

Tanto as vidas de Tess quanto de Gus não foram fáceis. A diferença é que Tess não teve outra escolha senão a de viver para sua irmã, enquanto Gus tinha seus problemas em grande parte por ser irresponsável e acomodado. Mas mesmo assim eles tiveram seus erros e acertos no decorrer dos anos, o que os tornam personagens bem verossímeis.

Tess tem seus problemas com o pai e com o fato de ter praticamente se tornado mãe aos 18 anos. Sua autoestima também não é muito grande, o que faz com que ela acredite muito pouco em si. Assim como qualquer pessoa, em determinado ponto da vida ela acaba se agarrando a um relacionamento como seu porto seguro e se acomoda naquela situação.

Gus não tem uma atitude muito diferente e também mergulha de cabeça num relacionamento bem estável e duradouro, até jogar tudo isso pro alto com sua irresponsabilidade.

É muito fácil compreender as escolhas de Tess e entender a sua vida. A gente acaba sofrendo com ela. E também é muito fácil se irritar com Gus e sua imaturidade, mas a gente acaba relevando pelo fato de suas atitudes serem fruto do difícil relacionamento entre ele e seus pais.

Uma coisa que eu achei bem legal foram os vários momentos em que Tess e Gus se encontraram ao longo da vida, sem ter nenhuma ideia de quem eram, e de quando eles cruzavam a vida de pessoas que ambos conheciam, sem nunca terem sido apresentados, deixando bem claro que só prestariam atenção um no outro na hora certa, se um dia ela chegasse.

Enfim, comecei o livro não acreditando muito na história e cheguei ao final com um sorriso no rosto e muito satisfeita com minha leitura.

Só dei 4 estrelas porque achei o final ter sido bem corrido, acredito que pelo fato de o desfecho ter sido deixado bem para os capítulos finais mesmo.


De qualquer maneira, adorei as histórias de Tess e Gus e recomendo muito a leitura!


Boa noite - Pâmela Gonçalves

Título: Boa noite
Autora: Pâmela Gonçalves
Editora: Galera Record
Páginas: 240


"Acho que a maioria das pessoas que chega na universidade espera que a vida tome um rumo completamente diferente... Obviamente eu também. Tudo o que eu quero é começar de novo. É nisso que eu penso enquanto encaro a parede de tijolinhos à frente. Só quero deixar tudo pra trás e enfim ser alguém legal."


Alina é uma garota de 18 anos, recém-formada no Ensino Médio, que mora no interior de Santa Catarina. Ela é muito apegada à sua família e se dá muito bem com seus pais e seu irmão, mas ela não quer mais ter uma vida previsível.

Assim, ao invés de ir para a faculdade na sua própria cidade, que era o esperado, ela decide se mudar para Florianópolis e estudar Engenharia da Computação numa faculdade de lá, num lugar totalmente novo, cheio de coisas novas e com a promessa de uma vida nova..

Ela sempre fora uma garota muito centrada e certinha, nunca havia bebido ou fumado na vida. Então, quando ela conhece seus colegas de república – a República das Loucuras –, um mundo completamente novo e repleto de possibilidades se abre à sua frente.

Nessa república moram Manu, estudante de Comunicação e doida do pedaço; Talita e Bernardo, estudantes de Administração e insaciável casal de namorados; e Gustavo, estudante de Medicina e o cara mais lindo que Alina já vira na vida.

Para se enturmar e já ser apresentada à vida noturna, ela concorda em sair com os novos amigos para conhecer os bares e participar das melhores festas, principalmente das que o curso de Medicina organiza. Uma vez que ela deseja se reinventar, nada melhor do que seguir os novos amigos, certo?

Numa dessas saídas, ela acaba conhecendo Artur, o segundo cara mais lindo que ela já viu na vida, carismático, dono de um sorriso encantados e também aluno de Medicina.

Na faculdade, ela tem de lutar contra o preconceito de seus colegas e professores homens (há apenas 4 mulheres na classe, contando com ela), que insistem em afirmar que Engenharia da Computação é um curso 100% masculino e estão sempre com piadinhas idiotas, cheias de preconceitos e duplo sentido. Fora o assédio frequente por parte deles, é claro.

Com essa vida nova, estressante e cheia de desafios, tendo que lidar com seu envolvimento com Artur e o aparente desprezo de Gustavo por essa situação, Alina ainda se verá obrigada a enfrentar os horrores dos abusos sexuais sofridos por mulheres nas festas universitárias.

E, para terminar, uma página no Facebook com uma lista de garotas com as mais perversas classificações, onde figura o seu nome.

Como ela vai lidar com todos esses conflitos?


Aí vocês me perguntam: “Mas San, você não disse que não lê livros de youtubers? Como que leu esse então?”

Sim, é verdade, eu não leio livros de youtubers e acho que não preciso explicar o motivo. No entanto, a Pâmela há muito tempo tinha um blog sobre livros, que eu seguia e onde eu lia várias resenhas sobre os livros que ela lia. Depois de um tempo ela parou com o blog e ficou só com seu canal no Youtube, que tem o mesmo fim do blog: falar sobre livros. Até que ela resolveu escrever seu próprio livro. De ficção, e não sua biografia. E foi aí que eu fiquei curiosa. Como gosto de seu canal e gostei muito do seu conto no livro O amor nos tempos de #likes, resolvi ler seu livro solo. E aqui estamos nós.

Gostei muito da maneira com a qual ela foi desenvolvendo a personalidade de Alina, fazendo-a ir se descobrindo e mudando as coisas aos poucos.

Alina é uma garota tímida, bem na dela, que nunca viveu muitas emoções na vida e que, de repente, é levada para um mundo de festas, bebidas e garotos, descobrindo um novo mundo onde ela é independente e não precisa mais dar satisfações a ninguém – ou quase isso.

Seus novos amigos da república são a apaixonantes e eu gostaria muito de ter passado mais tempo com cada um deles.

E aqui vem a parte mais interessante pra mim: mesmo sabendo que o tema do livro era abuso sexual, só durante a leitura é que eu fui descobrir que o título – Boa Noite – é uma alusão à droga “Boa-noite-Cinderela”, muito usada em festas para dopar as garotas para que os caras possam abusar delas. E é exatamente sobre isso mesmo que o livro trata.

Só preciso registrar minha pequena frustração referente a isso. Como o livro trata sobre essa temática de abuso sexual, eu achava que a experiência da protagonista com isso seria absurdamente devastadora – eu queria que fosse assim! –, mas não foi. Eu gostaria muito que a Pam tivesse ousado mais nessa parte e feito a gente soluçar enquanto lia.

Uma outra coisa que eu acho que ela poderia ter feito, era desenvolver mais a parte da investigação policial. Ali tinha gancho para várias situações bem legais que ela poderia ter aproveitado.

O romance é fofo e lindo de viver, mas eu queria muito, muito mesmo, que tivesse mais! Apesar de o nível de fofura ter sido alcançado, eu tinha necessidade de muito mais páginas dedicadas a esse amor. Fica aqui o meu registro: eu desesperadamente quero mais! <3

Enfim, mesmo tendo feito essas observações, quero dizer que a Pam está de parabéns! Quando eu comecei a ler o livro, eu simplesmente não conseguia mais parar e segui madrugada a dentro, até chegar à última palavra da última página.


Boa Noite é um ótimo livro e faço questão de recomendar.



Amor plus size - Larissa Siriani

Título: Amor plus size
Autora: Larissa Siriani
Editora: Verus
Páginas: 280


“Eu odiava os números na balança e tudo que vinha com eles: a dificuldade para caminhar, o fato de não caber direito na carteira da escola, o bullying, minhas inseguranças. Eu tinha nojo da minha franqueza, me desprezava pela minha forma. Eu não estava feliz."


Maitê Passos é uma jovem de 17 anos, que pesa 100 kg e sofre bullying na escola por isso. Estudante do 3º ano do Ensino Médio, ela não vê a hora de terminar a escola e se ver livre de sua pior perseguidora, Maria Eduarda, que a provoca todos os dias, sem piedade.

Como se não bastasse o bullying, ela não tem amigos na sua sala, pois é ignorada por todo mundo, é como se ela fosse invisível. Ela só tem duas amigas na escola toda: Josi e Val, ambas de outra sala. Tudo isso só dificulta a vida de Maitê e a chance de ela ser notada por Alexandre, o garoto por quem ela é apaixonada há anos e que senta ao seu lado.

Assim, resta-lhe apenas torcer para que as horas passem voando, para que a aula termine e possa ir para a casa de seu melhor amigo, Isaac. Sim, para a casa dele, pois em sua própria casa Maitê também é criticada por causa de seu peso o tempo todo, só que por sua mãe. Isaac é o único que a compreende e que diz que ela é linda do jeito que ela é. Claro que Maitê não acredita, mas fica feliz de o amigo sempre tentar animá-la, pois, se não fosse por ele, certamente ela já estaria morrendo de depressão.

Certo dia, na aula, a professora de Geografia passa um trabalho para a turma e informa que terá que ser feito em dupla. Como ninguém escolhe Maitê como par e ela sobra, sua professora acaba colocando-a como parceira de Alexandre, que faltou à aula e também não pode encontrar um par para si.

Depois de quase morrer de ansiedade e medo de abrir a boca perto do garoto, Maitê acaba percebendo que ele é um garoto legal e eles acabam ficando amigos. O problema é que ela não queria apenas sua amizade.

Depois de ganhar a amizade de Alexandre, o comportamento de Maitê começa a ficar diferente e ela acaba passando por grandes mudanças em sua vida.  


Eu confesso que não tenho o hábito de ler muitos livros nacionais, a não ser quando já conheço o autor e admiro seu trabalho. Porém, quando vi a sinopse do livro da Larissa (sim, porque já estou íntima), eu fiquei muito curiosa e tive que pedir.

É muito difícil encontrar na literatura atual uma protagonista que seja gorda, por isso eu queria saber como a autora desenvolveria a trama como esse estereótipo diferente.

Maitê representa milhares de meninas que se sentem miseráveis pelo fato de não terem aquele corpo padrão que hoje é imposto pela sociedade, e que não conseguem emagrecer mesmo fazendo dieta ou exercícios, pois têm mesmo predisposição para engordar e, por isso, comem mais ainda para tentar compensar a frustração. Não importa quantas pessoas digam que ela é bonita, ela não se vê e nem se sente assim.

Foi muito legal ver a mudança dela ir acontecendo aos poucos e o feio dando lugar ao bonito nos seus olhos.

A mãe de Maitê, pelo menos até certo ponto da história, era tão cruel quanto Maria Eduarda e isso me fazia me sentir muito mal por ela, que só podia contar com seu pai e com Isaac. E por falar nele, tenho que dizer que esse garoto ganhou meu coração. Que menino doce!

Larissa Siriani conseguiu tratar sobre dois temas sérios no livro sem deixar a história pesada, o que eu achei muito legal. E não fiquem tristes, pois sim, tem romance também!

Enfim, Amor Plus Size é um livro que deveria ser lido por todas as meninas – de todas as idades – que sofrem com problema de autoestima, para que elas possam receber a mensagem que a história passa: você é linda do jeitinho que é!

Recomendo!







No seu olhar - Nicholas Sparks

Título original: See me
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Gênero: Suspense/romance
Páginas: 432

"Pendurando a bolsa no ombro, pegou sua pasta e foi para a porta, com os olhos baixando para o capacho. Demorou um momento para processar o que via, antes que a respiração se prendesse na garganta.  Uma rosa murcha. com as pétalas ficando pretas, junto com um bilhete.  'Você vai saber qual é a sensação'.  Quase como se estivesse sonhando, seus pés permaneceram estagnados na soleira, porque ela sabia que haveria mais. No corrimão perto da escada estava outra rosa apodrecida, encurvada sobre o peso de mais um cartão. Forçando os pés a se mover adiante, ela passou por cima da flor no capacho e chegou perto para ler.  'Por que você a odiava?'"



Maria Sanchez tem 28 anos e é filha de imigrantes mexicanos que a ensinaram, desde muito cedo, o valor do trabalho. Hoje eles são donos de um dos melhores restaurantes de comida mexicana da cidade de Willmington.

Seus pais sempre procuraram ensinar seus valores a Maria e sua irmã mais nova, Serena, mostrando o real sentido de uma família. O cuidado que eles têm um com o outro é muito bonito.

Mas Maria não quis trabalhar com seus pais. Antes, preferiu se formar e seguir a carreira de advogada, na qual vinha se saindo muito bem. No entanto, sua vida estava longe de ser interessante. Depois de algumas decepções amorosas, ela desistiu de tentar encontrar o amor. Não sai mais para se divertir, não sai com amigos. Vive apenas para o trabalho e mais nada.

Colin Hancock tem 28 anos e é o que muitos julgam ser um caso perdido. Tudo começou na sua infância. Ele era uma criança com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e seus pais, ao invés de procurarem ajuda especializada, preferiram ignorar o garoto e fazer de conta que ele não existia, dando a atenção deles apenas para as irmãs perfeitinhas de Colin.

Como nunca teve o auxílio de que precisava, Colin acabou se tornando uma criança problema, um adolescente pior ainda e um adulto que tinha problemas para controlar a raiva. Ele já havia passado pela cadeia muitas vezes, várias clínicas, mas nunca nenhuma dessas coisas surtiram algum efeito.

Mas agora Colin quer ser uma nova pessoa e deixar seu passado conturbado para trás. Para isso, ele conta com a ajuda de seu melhor amigo e sua noiva – Evan e Lily. Ambos são pessoas maravilhosas e fazem tudo para ajudar Colin a reconstruir sua vida. A amizade entre os três é uma coisa muito linda de se ver.

Numa noite chuvosa, o carro de Maria tem um problema e ela se vê parada no meio de uma estrada escura e deserta. Colin, que acabara de participar de uma luta de MMA e estava com o rosto acabado, estava a caminho de casa quando vê que havia uma moça precisando de ajuda. Ele desce do carro e vai oferecer seus serviços a Maria, que só faltou sair correndo de tanto medo que ela sentiu dele.

Mesmo assim, ele a ajudou e depois seguiu para casa. Eles nunca haviam se visto antes, mas depois dessa noite, o universo – com uma pequena mãozinha de Serena – começa a conspirar para que eles se encontrem quando menos esperam.

Colin é um bad boy – de passado terrível e que tem sérios problemas com a lei e com seu comportamento – que está tentando mudar. Maria é a advogada que manda para cadeia caras como Colin o tempo todo. Eles não poderiam ser mais diferentes um do outro, mas o destino parece acreditar que, mesmo sendo de mundos tão diferentes, esses dois têm uma bonita história para viver.

Ao mesmo tempo em que acompanhamos o desenvolvimento do relacionamento entre Maria e Colin, ficamos sabendo de uma coisa muito estranha. Maria começa a receber várias ameaças em casa e no trabalho, e tudo leva a crer que isso tem a ver com um caso em que ela trabalhou no passado e que a deixou traumatizada. Será que esse passado está retornando para atormentá-la novamente?


No seu olhar é o primeiro suspense romântico de Nicholas Sparks que eu leio. O foco da trama é o suspense, mas também temos um romance doce, que se desenvolve bem devagar e proporciona um crescimento pessoal bem grande para ambos os protagonistas.

A trama foge bem da já tão conhecida fórmula de romance de Sparks. A parte do suspense é bem construída e o mistério nos envolve bastante. Os personagens secundários são essenciais à história e contribuem de uma forma muito positiva.

Colin não é o típico bad boy arrogante, que não está nem aí com nada. Ele tem ciência de que fez escolhas erradas e muito tristes no seu passado e está disposto a fazer qualquer coisa para mudar. Tanto que, com a ajuda e o incentivo de seus amigos, ele agora entrou para a faculdade e se dedica 100% aos estudos, pois seu sonho é ser professor e trabalhar com crianças que sofrem de TDAH. Achei isso muito lindo.

Maria tem muitos problemas de autoestima e de confiança, principalmente depois do trauma que sofreu num dos casos em que trabalhou. Por esse motivo, a aproximação dos dois acontece bem aos poucos, o que eu também achei muito legal, pois ambos estão muito inseguros a respeito do que está acontecendo entre eles, mas querem estar presentes da vida um do outro.

Enfim, termino dizendo que Nicholas foi bem feliz neste seu romance. Espero que ele se empolgue e escreva outros livros nessa mesma linha de suspense.


Sem dúvida, No seu olhar é um livro que eu recomendo muito!



A história de nós dois - Dani Atkins

Título original: The story of us
Autora: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Páginas: 352

"- Não sou aquilo de que você precisa na sua vida agora, Emma. Mas, que Deus me ajude, estou usando cada grama de força que tenho para não puxá-la de volta aos meus braços e apagar em você a lembrança de qualquer homem que um dia você possa ter beijado!" 



A história de nós dois começa pelo fim. Emma começa contando que está prestes a vestir o seu vestido, pois hoje é o dia de seu casamento. A cada capítulo nós temos um trecho narrado por Emma, sobre os preparativos do casamento, até o momento em que ela se encontra com o noivo.

Após a breve narrativa sobre o dia do casamento de Emma, temos a história que começa realmente. Ela está saindo de sua despedida de solteira – seu casamento será dali a 2 semanas – com suas amigas Caroline e Amy. No meio do caminho, enquanto seguiam para casa, elas sofrem um acidente terrível na estrada. Amy é arremessada pelo vidro do para-brisas, Caroline consegue escapar com poucos ferimentos, e Emma fica presa dentro do carro.

Caroline consegue sair e pedir ajuda. É aí que conhecemos Jack. Um homem misterioso que para no caminho para ajudar e retira Emma do carro segundos antes de ele explodir. Ele chama o socorro e todos seguem para o hospital, sendo Amy a que está em estado mais crítico e acaba morrendo horas depois.

Desolada pela morte da amiga, Emma e Richard, seu noivo, acham melhor adiar o casamento, pois não havia mais clima para se casarem ao mesmo tempo em que enterravam uma amiga. Cancelaram tudo e decidiram esperar.

O problema é que Jack continua na cidade e, por alguma razão que eles não conseguem explicar, ambos sentem a necessidade de estarem juntos, de terem contato. Uma ligação muito forte estabeleceu-se entre eles na noite do acidente.


Assim, ao mesmo tempo que Emma vai se aproximando de Jack e conhecendo-o melhor, ela nota que Richard vem tendo um comportamento estranho, principalmente no que diz respeito a Amy. E em meio a tantos sentimentos confusos e de perda, e ainda tendo de lidar com o Alzheimer de sua mãe, é que Emma começa a descobrir coisas que ela desconhecia sobre seu relacionamento e sobre suas amizades, colocando toda a sua vida sob uma perspectiva totalmente diferente, deixando-a ainda mais confusa também em relação aos sentimentos a respeito de Jack.



Este é o primeiro livro de Dani Atkins que eu leio – por recomendação da Nanda, do Viagem Literária – e tenho que dizer que gostei muito de sua escrita e de sua maneira de desenvolver a trama e os personagens.

Logo nos primeiros capítulos temos as cenas de partir o coração, referentes à morte de Amy. E depois disso, os sentimentos tomam conta e o leitor que realmente se envolve com a história que lê – tipo eu – fica realmente muito sensível.

Jack é um homem quieto, bem na dele. Um autor famoso, que não gosta de fazer alarde e que estava passando apenas alguns meses na cidade de Emma, para fazer uma pesquisa de campo para seu próximo livro. O encontro deles naquela noite do acidente foi realmente uma dessas coincidências que ninguém explica. Ele é muito fechado, pouco fala de si, mas é muito transparente quanto aos sentimentos confusos que tem por Emma.

E Emma tem que lidar agora com seu luto e a tristeza de perder uma de suas melhores amigas, mas também precisa ser forte para tomar conta de Caroline, que ficou seriamente abalada depois do acidente, psicologicamente, inclusive. Mas felizmente Emma tem Richard, que sempre foi seu porto seguro na vida. Namorados desde adolescentes, Richard é o genro que qualquer pai e mãe gostaria de ter. Ele tem um imenso cuidado e atenção com a mãe de Emma, que está num estado avançado de Alzheimer, e também um profundo respeito pelo pai de Emma. É o típico rapaz que está ao seu lado para o que der e vier.

Mas quando ele começa a desenvolver esse comportamento estranho após a morte de Amy, Emma começa a perceber que algo está errado e, depois de muita paciência e investigação, ela descobre coisas sérias que a fizeram acreditar que ela vivia uma mentira. Ela termina seu relacionamento com Richard, mas ele continua a procurar por ela e tenta provar a ela de todas as formas que a ama, só que agora ela também tem essa estranha conexão com Jack.
Ela definitivamente não está no seu melhor momento da vida para conseguir ver alguma coisa com clareza.

A história de nós dois é um livro que trata, sobretudo, da natureza humana. De erros e acertos, de perdão, amizade e amor. Não é uma história impossível de acontecer na vida real, e por isso mesmo a empatia acontece tão fácil. A gente consegue realmente se colocar no lugar de Emma e viver os seus medos e frustrações, bem como suas preocupações.

Richard é um coitado. O típico cara perfeito que cometeu um deslize e acabou com o coração partido por causa disso. Não há como não gostar dele. Mas também não há como não gostar de Jack. Então a gente consegue entender perfeitamente a confusão de Emma.

Gostei muito do livro. Não foi uma história que me fez chorar, mas conseguiu me levar pra dentro da trama e sofrer com os personagens de quem eu já me sentia amiga.

Impossível não se deixar envolver por essa tocante história do amor nas suas mais variadas faces.


Recomendo!



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