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A casa das sete mulheres - Letícia Wierzchowski

Título: A casa das sete mulheres
Autora: Letícia Wierzchowski
Editora: Bertrand
Trilogia Farroupilha - livro 1
Páginas: 462

"Mil cavaleiros marchando oito dias sob a chuva. O frio desse continente lhes entra sob a pele como agulhas de gelo, o vento gruda no corpo os andrajos ensopados. A maioria tem os pés descalços, pisa na terra gélida que engole seus dedos como a boca ávida de um morto. O frio entrando pelas solas dos pés não é nada. Há uma força nesses homens. Há uma centelha de coragem que arde no peito de mui poucas criaturas sob esse céu. Que animus os move? Por qual sonho morreram tantos, nessa manobra e em outras da guerra? Qual o assombro que mantém viva a chama em seus olhos cansados, molhados de chuva, em sua carne faminta e emagrecida e mutilada? Há alguma coisa nesses homens. Algo de sobre-humano, de celeste, de bestial. Algo para além das fronteiras dessa carne. Vem do chão, viva energia que os alimenta a cada légua, que insufla em seus corpos a força para prosseguir contra todas as tempestades, a despeito do mais rigoroso dos invernos, esquecendo todas as derrotas. Os farroupilhas."


A Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupilha (1835-1845) - a mais longa guerra civil do continente -, foi uma luta dos latifundiários rio-grandenses contra o império brasileiro. As complexas razões do levante - dentre elas, a abolição da escravatura - está nos livros de História que tanto já lemos na escola. E o que não está nesses livros, Letícia Wierzchowski nos conta muito bem, através da fantástica escrita deste romance. 

Com o início da guerra, o general Bento Gonçalves da Silva isolou as mulheres de sua família em uma estância bem afastada das áreas em conflito, com o propósito de protegê-las.

Assim, na manhã do dia 19 de Setembro de 1835, chegam à Estância da Barra, propriedade de D. Ana Joaquina da Silva Santos, uma das irmãs de Bento Gonçalves, a irmã caçula de Bento e D. Ana, Maria Manuela, e suas filhas Manuela, Rosário e Mariana; Caetana, esposa de Bento Gonçalves, sua filha mais velha, Perpétua, e seus outros quatro filhos pequenos. 

D. Antônia, a irmã mais velha dos Gonçalves, também deixou sua casa na Estância do Brejo para dirigir-se à casa da irmã, D. Ana, para receber sua irmã caçula, sua cunhada e todos os seus sobrinhos e sobrinhas. 

E foi a partir desse dia que a vida dessas sete mulheres, isoladas da guerra e de tudo o mais, começou a se transformar. 


Eu não tenho palavras boas o suficientes para começar esta resenha. Eu já tinha uma noção da história por causa da minissérie homônima transmitida pela Globo em 2003, que foi belíssima por sinal. 

Mas mergulhar na história através da escrita de Letícia Wierzchowski foi completamente diferente e uma experiência fantástica!

O que começa como uma feliz reunião de família, onde as sobrinhas adolescentes encontram-se emburradas por terem deixado os bailes da corte para se enfiar numa estância longe de tudo, torna-se uma experiência transformadora e sem volta para cada uma das pessoas dentro daquela casa. 

Para algumas, o sonho de encontrar o amor de sua vida foi realizado. Porém, nem todas tiveram a chance de viver esse amor "até que a morte os separe".

Mães e tias amorosas viram seus filhos e sobrinhos irem para a guerra como jovens nos últimos anos da adolescência e, 10 anos depois, voltarem - os que conseguiram - homens feitos, trazendo no peito e nos olhos a tristeza e a amargura da guerra com as quais teriam de conviver para sempre. 

Maridos foram mortos sem que pudessem se despedir de seus filhos e esposas, e outros, se não morreram na guerra, morreram depois dela, de tristeza.

A incrível jornada vivida por cada um dos personagens vai ficar marcada para sempre na minha memória. 

Rosário e Manuela - minha personagem preferida -, embora compartilhassem da mesma determinação de viverem seu amor da melhor maneira que pudessem, tiveram destinos bem diferentes, ambos tristes e ambos por amor. Ou loucura. Quem é capaz de distinguir?

Caetana viveu os piores desesperos que uma mulher pode viver, tendo seus homens - marido e filhos - na guerra. E, ainda assim, apesar de castigada pelos 10 anos da guerra, nunca deixou de acreditar neles e de ter fé. 

Giuseppe Garibaldi, com seu sorriso cativante e seu coração cheio de sonhos, sempre corajoso e disposto, lutava por uma pátria que, apesar de não ser a sua, foi a que lhe apresentou o amor da maneira mais profunda. 

D. Antônia, que começa no livro um pouco quieta, de poucas palavras, ressentida pela perda precoce de seu marido, muitos anos antes da guerra começar, chega ao final dele com mais alegria, mais leve e de coração mais compassivo, apesar das tragédias todas vividas por sua família.

Bento Gonçalves, nosso general protagonista, foi um herói tanto no começo, quando cada homem desejoso de que o império chegasse ao fim e que viesse a república, colocava sua vida em suas mãos e sob sua responsabilidade, convicto de que seria uma honra oferecer sua vida ou sua morte em prol desse sonho, quanto no fim, depois de tantos anos se cobrindo com o sangue de seus irmãos de revolução. 

Diferente das minhas outras resenhas, onde eu costumo falar sobre a história do livro de maneira geral, eu só pude contar rapidamente sobre de que se trata este romance e destacar minha admiração a alguns personagens. 

É impossível eu querer resumir aqui a história de cada um, com seus altos e baixos, suas alegrias e tristezas. E mais impossível ainda é descrever o que senti enquanto lia sobre todos eles. 

Assim que acabei a leitura e fechei o livro, minha vontade era a de abri-lo e começar tudo novamente. Ainda não estou preparada para me despedir desses personagens, desse cenário ou dessa trama em geral. Fico feliz porque ainda resta-me o consolo de ler, em seguida, os dois livros restantes da trilogia, que já tenho aqui. 

Para terminar esta resenha um tanto confusa e cheia de emoção, só posso dizer que A casa das sete mulheres é um dos melhores livros que já li na vida. Recomendo a todos os leitores, sem medo de errar. Tenho certeza de que dificilmente haverá alguém que não fique deslumbrado com este livro, senão pelo riquíssimo relato da Guerra dos Farrapos, pela maravilhosa e poética escrita de Letícia Wierzchowski, autora de quem eu me arrependo agora amargamente de nunca ter lido nada antes. 

Não só dou 5 estrelas para este livro, como torno-o um dos meus favoritos e recomendo a todo mundo. 







Inesquecível - Jessica Brody

Título original: Unremembered
Autora: Jessica Brody
Editora: Rocco
Trilogia: Unremembered - livro 1
Páginas: 336

"Todo mundo à minha volta tem muita confiança de que um dia vou me lembrar. Que minha família será encontrada, minhas lembranças serão restauradas e minha vida me será devolvida. Infelizmente, porém, não partilho dessa convicção. Não acredito no que eles acreditam com tanto fervor. Porque, por algum motivo, minhas lembranças não parecem temporariamente extraviadas. Parece que elas morreram."


O cenário é familiar: um avião cai e há apenas uma sobrevivente, que não faz a mínima ideia de quem ou de onde ela é. Ela não se lembra de absolutamente nada. Não tem ferimentos e nenhum registro seu foi encontrado em nenhum banco de dados.
Apelidada de Violet por causa de seus olhos incomuns, a misteriosa sobrevivente, de 16 anos, depois de sair do hospital, foi enviada aos cuidados de uma família adotiva já que nenhum parente foi encontrado e ninguém parecia saber quem era ela.
Frustrada por causa da amnésia, ela começa a tentar se lembrar e se apegar a cada mínima coisa que possa ser uma pista para levá-la de volta ao seu passado. Até que ela encontra um garoto misterioso que garante que eles se conhecem e promete que vai levá-la com ele assim que for possível. O problema é que Violet não sabe quem é esse garoto, nem tampouco se pode confiar nele.
Mesmo assim, o rapaz tenta convencê-la de todo jeito de que ele a conhece, que seu verdadeiro nome é Seraphina e que sua vida corre grande perigo.
Sem saber em quem acreditar, ela começa a procurar sozinha por respostas e se vê caçada por vários homens desconhecidos, sem a mínima ideia de para onde correr.

Não preciso dizer que este livro se trata de mais um YA, não é? Só que agora, um YA meio que sci-fi. Eu achava que a história focaria mais na questão de perda de identidade e de memórias, mas, pra variar, isso é apenas um veículo que nos leva à origem de um épico amor adolescente.
Claro que há toda a história sobre a origem e o passado de Seraphina, e como ela conheceu Zen, o tal garoto misterioso, mas o problema é que a história não me convenceu. Mais do que uma trama sci-fi, esta é, mais uma vez, a história de um amor capaz de superar qualquer barreira, incluindo perda de memória e alteração da mente.
O problema é que quando um livro nos apresenta uma heroína com estranhas habilidades (como grande força física e conhecimento prévio de várias línguas), engenharia genética, viagem no tempo e corporações ambiciosas querendo Seraphina a qualquer custo, eu não posso evitar de pensar que gostaria que a trama focasse nisso ao invés de focar em dois adolescentes recitando Shakespeare um ao outro, sabem? Há uma infinidade de coisas interessantes na história que poderiam ser muito bem exploradas, mas não foram.

Inesquecível é o primeiro livro de uma trilogia. Resta-nos aguardar que surpresas nos trará o segundo volume. Espero que seja melhor, pois a trama tem tudo pra ser uma história incrível.


O par perfeito - Nora Roberts

Título original: The perfect Hope
Autora: Nora Roberts
Editora: Arqueiro
Trilogia: A pousada - livro 3
Páginas: 309

“Um ano antes, Hope vivia satisfeita com a própria vida, encarava novos desafios no emprego e se sentia em casa no Wickham. Porém, nos últimos meses, percebera que, em Boonsboro, não se sentia apenas satisfeita, mas feliz. A pousada não era só uma casa, mas um lar.” 


Ryder Montgomey e Hope Beaumont, desde que se conheceram, não se deram muito bem e vivem trocando farpas quando se encontram.

Ele é um homem de poucas palavras – muitas delas sarcásticas – quando o assunto é Hope. Ela é uma mulher da cidade grande que se mudou para Boonsboro e acabou sendo contratada pela mãe de Ryder para ser a gerente da nova pousada deles. Para ela, Ryder, apesar de ser lindo, é o mais ranzinza dos irmãos Montgomery. Pelo menos era assim que eles se viam, até este livro.

E então, depois de um beijo arrebatador, alguma coisa mudou em ambos e eles simplesmente não podiam mais sair um do pensamento do outro. Por esse motivo, Hope procura por Ryder e faz a ele uma pergunta muito direta e ele, depois de um dia considerando, lhe dá sua resposta.

A partir daí, ambos começam a se encontrar casualmente, sempre afirmando que não estavam namorando, eram apenas dois adultos curtindo juntos. Mas é claro que Clare, Avery e a família de Ryder não veem a coisa desse jeito. Para eles, os dois estão apaixonadíssimos e só eles é que não percebem.

Com o passar do tempo, tanto Ryder quanto Hope começam a se conhecer melhor e perceber traços na personalidade um do outro que os fazem perceber o quanto se engaram a respeito de si.

Enquanto tudo isso acontece, não podemos nos esquecer de Lizzy, é claro. Ela é o fantasma residente na pousada. Com o tempo, ela foi se familiarizando com os Montgomery e com as amigas, permitindo que percebessem quando ela está por perto e até mesmo os ajudando quando era necessário. Para retribuir o favor, todos eles decidiram tentar descobrir quem ela era e tentar ajudá-la. Por algum motivo, ela se afeiçoou muito a Hope e se ligou mais a ela, de modo que Hope é que mais se dedica a essa tarefa.

E o que eles acabam descobrindo é de emocionar todo mundo.


Mal terminei de ler a trilogia e já sinto uma saudade imensa dos personagens e de todo o clima que permeia a cidade de Boonsboro. <3

Os laços de amizade neste último livro são tão lindos, tão unidos, que foi de encher os olhos ler sobre isso. Avery, Clare e hope são melhores amigas há muitos anos e adoram ter aquelas conversas de coração pra coração que toda mulher precisa fazer de vez em sempre. Elas contam tudo uma pra outra e falam sobre tudo, desde a gravidez de Clare, até sexo, carreira e todo o resto. E elas também são muito amigas de sua sogra, Justine, que é uma mulher justa e tem uma vivacidade de dar inveja.
  
Beckett, Owen e Ryder, os irmãos Montgomey, também são grandes melhores amigos e, assim como as meninas, conversam sobre tudo e contam tudo um ao outro, e quase sempre brigam depois porque eles simplesmente não podem perder de fazer a piada, nunca!

Enfim, a trilogia A Pousada é cheia de amor e de magia, e é impossível não se deixar envolver por uma história tão fofa, mesmo tendo tantos clichês. E o fato de tanto Boonsboro quando os pontos comerciais citados nos livros (e que são todos da Nora, diga-se de passagem) serem lugares reais só deixa tudo mais legal ainda e faz a gente querer sair correndo pra comprar as passagens e ir direto pra lá. (Para saberem mais sobre isso, podem ler a resenha do primeiro livro da trilogia, onde eu falo sobre a cidade e a pousada de Nora Roberts).

Se você gosta de romance, é imprescindível que leia essa trilogia.


Recomendo muito!




Livros da trilogia:

3. O par perfeito

A Sociedade da Rosa - Marie Lu

Título original: The rose society
Autora: Marie Lu
Editora: Rocco
Trilogia: Jovens de Elite - livro 2
Páginas: 336

"Era uma vez, uma menina que tinha um pai, um príncipe e uma sociedade de amigos. Então todos a traíram e ela os destruiu."


ATENÇÃO: Esta resenha contém spoilers para quem não leu o primeiro livro da trilogia, Jovens de Elite


No final do livro Jovens de Elite, Adelina não faz mais parte do grupo dos Punhais (os jovens de elite que a acolheram) e fez a promessa de começar a sua própria sociedade e vingar-se da Inquisição. 

A Sociedade da Rosa começa exatamente nesse ponto. Adelina e Violetta, sua irmã mais nova, tentando encontrar novos recrutas para sua sociedade, estão à procura de um jovem de elite chamado Magiano, na esperança de que, se ele aceitar fazer parte de sua sociedade, outros jovens de elite também aceitarão. 

Enquanto busca começar seu próprio grupo, Adelina também luta com sua mágica. Seus poderes estão se tornando bem mais fortes – o que seria bom, se ela não necessitasse do medo e da raiva de outras pessoas para alimentá-lo – e é aí que começamos a perceber que uma vilã está nascendo. 

Este é livro sobre a queda de Adelina para o lado sombrio. Nós entendemos muito melhor o que se passa em sua mente e como funcionam não só os seus poderes como os dos outros jovens de elite também. 

Durante a leitura, surge a dúvida: a escuridão de Adelina é resultado de seus poderes ou de seu estado psicológico? Ambos? Nenhuma das alternativas? 

Analisando a jornada de Adelina, nós vemos por quantas situações terríveis e frustrantes ela passou. Isso nos faz pensar sobre como teriam sido as coisas se sua história fosse diferente. Se seu pai não fosse o homem cruel que era, se ela não tivesse se separado da irmã e perdido a confiança de seus amigos jovens de elite. 

Apesar de não torcer por nossa protagonista vilã, eu soube entender suas motivações.

E até aqui eu falei apenas dela. Os outros personagens também são intensos e anseiam por alguma coisa. Teren, por exemplo, que é o chefe da Inquisição e braço direito – e amante – da rainha, também tem sua escuridão crescente dentro de si e sua pequena dose de loucura. E meu doce e adorado Rafaelle, com toda sua graça e suavidade, tem seu coração sobrecarregado de tristeza por causa de tudo o que acontece. 

Marie Lu já disse que este foi o livro mais obscuro que ela já escreveu e eu sou obrigada a concordar. O mundo dessa trama continua muito bem construído e a escrita de Marie Lu permanece exemplar. O problema foi só comigo, mesmo. Embora tenha adorado a premissa da história, eu não estava em busca de uma coisa tão dark assim agora... rs. Queria uma coisa mais light, mais fofa, sabem? Não estou num momento pra bad vibes... rsrs. 

Mas mesmo não tendo conseguido me conectar à trama, reconheço que Marie Lu fez um belo trabalho aqui. E se você está na vibe desse tipo de leitura, Jovens de Elite e A Sociedade da Rosa são os livros certos! :)




Livro anterior:


Jovens de Elite - Marie Lu

Título original: The young elites
Autora: Marie Lu
Editora: Rocco
Trilogia: Jovens de Elite - livro 1
Páginas: 304


"Corro. A energia pulsa por mim em ondas implacáveis, me alimentando enquanto tento ignorar seu fluxo nas veias. Apesar de tudo, sinto uma estranha alegria. Fui eu quem criou todo esse caos."


Há alguns anos, uma praga conhecida como a febre do sangue devastou o mundo e o transformou para sempre. 

Todos os adultos que ficaram doentes, morreram. Nenhum se curou. Quanto às crianças, houve algumas que sobreviveram, mas que nunca mais foram as mesmas. Depois que se curaram da doença, ficaram com estranhas marcas e/ou cicatrizes pelo corpo e começaram a ser chamadas de malfettos. E alguns desses malfettos desenvolveram poderes incomuns.

Os Jovens de Elite são um grupo de malfettos com esses poderes. Há entre eles quem possa criar fogo do nada, controlar os animais e o vento, ou até mesmo se tornar invisível. A missão desse grupo é lutar contra a Inquisição – formada justamente para destruir todos os malfettos – e encontrar outros jovens com poderes como eles.

Enquanto muitas pessoas temem os Jovens de Elite, Adelina está descobrindo suas habilidades apenas agora. Tanto ela quanto sua irmã mais nova, Violetta, tiveram a febre do sangue quando eram pequenas, mas, enquanto Violetta se recuperou sem nenhuma marca permanente, Adelina ficou com os cabelos completamente prateados e perdeu um dos olhos, ficando apenas com uma cicatriz horrível em seu lugar, o que permitia que qualquer um pudesse ver que ela era uma malfetto.

Por causa dessa mesma doença, Adelina e Violetta acabaram perdendo sua mãe, tendo agora apenas o pai para criá-las. Mesmo que Adelina ainda seja bonita, seu pai acredita que nenhum homem vai querer se casar com uma malfetto e, assim, dedica-se exclusivamente a Violetta, esquecendo-se da filha mais velha. Vez ou outra ele provocava Adelina, esperando que ela manifestasse algum tipo de poder e acabasse se tornando útil para ele. No entanto, Adelina nunca apresentou nenhum sinal que confirmasse que ela tinha qualquer tipo de poder.

Certa noite, ela ouve a conversa do pai com um estranho e percebe que ele a está vendendo para esse desconhecido, não para que ele se case com ela, é claro, mas para que seja sua amante. Ao perceber o terrível futuro que a aguarda, ela decide esperar até a noite para que possa fugir. Durante a fuga, seu pai acaba alcançando-a e tenta obrigá-la a voltar para casa, mas algo acontece dentro de Adelina e, sem querer, ela acaba produzindo uma ilusão terrível. Assustado, o cavalo de seu pai o derruba e o mata, e Adelina foge, até que acaba sendo presa pela Inquisição, culpada tanto pela morte de seu pai como pelo crime de ser uma malfetto com poderes demoníacos.

No dia de sua execução, duas coisas acontecem: sem saber como, ela consegue criar suas ilusões novamente e acaba sendo salva pelos Jovens de Elite, que a acolhem e dizem que se ela conseguir passar por todos os seus testes, poderá se tornar um deles. Porém, há um obstáculo: a escuridão que a própria Adelina carrega dentro de si.


É bem verdade que já vimos premissas parecidas em vários outros livros: um pequeno grupo de pessoas que desenvolvem superpoderes, fazendo com que sejam temidos pelo restante da sociedade. Muitos desses poderes também são bem comuns em vários outros livros do mesmo tipo, bem como muitos personagens nos soam familiares, também vindo de outras estórias. Porém, o fim deste livro me fez repensar essa opinião, devido a alguns acontecimentos e o fato de uma narrativa em particular não ter seguido o caminho que eu esperava.

Falo de uma narrativa em particular porque o livro é contato sob vários pontos de vista, sendo apenas o de Adelina em primeira pessoa e os demais em terceira.

O epílogo também me deixou bastante curiosa, trazendo uma nova personagem e já uma grande interrogação para o livro seguinte.

Marie Lu já disse em algumas entrevistas que a premissa do livro nos faz pensar sobre o que faz alguém escolher a escuridão ao invés da luz e que esta é a história da origem de uma vilã.

Adelina pode ser uma personagem que chamaríamos de boa em alguns momentos, mas isso não acontece sempre, especialmente quando o livro vai chegando perto do fim e percebemos que ela se torna cada vez mais sombria. Não me surpreende o fato de ela ter alguns problemas, dada a infância que teve. Seu pai era um homem cruel, especialmente com ela. Ao mesmo tempo em que o despreza, ela está muito ciente que é parecida com seu pai em muitas coisas, mais até do que gostaria. Ela está feliz agora que descobriu que tem seu poder e há momentos em que ela se deixa levar pela escuridão de onde vem esse poder. No começo ela comete vários erros, mas consigo entender os seus motivos e seu comportamento, mesmo não gostando das decisões que ela toma. A verdade é que ela está desesperada para ser aceita e poder fazer parte de algo, deixando para trás a sua solidão, tanto que se agarra aos Jovens de Elite e quer muito que eles sejam seus amigos.

Eu tive uma mistura de sentimentos a respeito do livro. A escrita de Marie Lu, como sempre, nos absorve e nos leva para dentro da trama, mas mesmo assim eu não consegui me conectar a todos os personagens – apenas com um, Rafaelle, que até acho que merecia um livro à parte, só pra ele.

Sim, há uma pequena dose de romance na narrativa, mas a relação mais complexa ali é entre Adelina e Violetta, sua irmã. Os sentimentos de Adelina a respeito dela são complicados. É possível para o leitor perceber que Adelina se importa com a irmã e que até quer protegê-la, mas também é evidente o ressentimento que ela guarda por Violetta sempre ter sido a preferida do pai e nunca ter feito nada para ajudá-la.

Enfim, o livro tem bastante ação e soube introduzir muito bem esse novo mundo. Meu único problema foi a falta de conexão com os personagens mesmo, mas a narrativa flui muito bem e a leitura é rápida.


E depois do fim do livro e do epílogo, estou bem curiosa pra saber que rumo essa história irá tomar. 



Seeker - Arwen Elys Dayton

Título: Seeker
Autora: Arwen Elys Dayton
Editora: Rocco 
Trilogia: Seeker - livro 1
Páginas: 416


"Antes, acreditava que aquela marca seria um emblema de orgulho, mas agora o significado era completamente diferente. Ela havia sido amaldiçoada."


Numa fazenda da Escócia, Quinn Kincaid, Shinobu MacBain e John Hart estão sendo incansavelmente treinados para se tornarem os últimos Seekers do mundo, que, segundo o que eu entendi, são – ou deveriam ser – protetores da humanidade.

Quinn e Shinobu têm 15 anos e são primos, enquanto John tem 16 e chegou há alguns anos na fazenda para treinar com eles.

O objetivo de vida desses três garotos é se tornar um seeker. Não há nada mais que eles possam almejar tanto. Briac Kincaid (pai de Quinn) e Alistair MacBain (pai de Shinobu) são os encarregados de treiná-los até que estejam aptos para fazerem seu juramento e descobrirem todos os segredos que fazem parte do mundo dos seekers.

O livro já começa com ação, no que claramente é uma parte do treinamento dos garotos, e já aí nós podemos perceber que John não é querido por nenhum de seus instrutores e que, por algum motivo, não é do desejo deles que ele faça seu juramento. Por isso, é com ele que pegam mais pesado durante os treinamentos.

Durante o treinamento, algo acontece com John e isso o compromete, tornando impossível que ele faça seu juramento naquela noite. Assim, fica acertado que ele irá embora no dia seguinte.

Nessa mesma noite, Quinn e Shinobu são levados para fazerem seu juramento e cumprirem sua primeira missão como seekers. O que eles não sabiam, era que sua função não era nada daquilo que eles esperavam e que, desde o começo, tudo o que lhes foi dito era mentira. É aí que tudo muda.


A história é narrada em terceira pessoa e os capítulos alternam-se entre as perspectivas de Quinn, Shinobu, John e Maud, que não mencionei antes, mas que faz parte de um grupo de pessoas chamados Pavores, cuja função – novamente de acordo com o que eu entendi – é cuidar para que os seekers sigam todas as regras e ordens que lhes são dadas.

Num primeiro momento, achei a coisa toda muito boa, mas, à medida que as páginas foram passando, eu percebi que eu não sabia o que estava acontecendo, não sabia o que era um seeker, nem no quando e onde se passa a história.

“Mas, San, o que é um Seeker?”, é o que você vai me perguntar, querido leitor. E eu respondo: não sei. Terminei o livro sem saber. Eu entendi o conceito da coisa, mas não houve uma explicação satisfatória a respeito disso no livro. Dito isto, continuemos.

Ainda não consigo descrever Quinn de verdade e, pra ser sincera, nem sei se gosto dela ou não. Já Shinobu, pra quem eu não dava nada no começo do livro, me surpreendeu muito e tornou-se um querido. E John, por sua vez, preferiu que nossa relação fosse de amor e ódio. Ora eu o amava, ora eu o odiava. E ainda não sei se devo amá-lo ou odiá-lo. Simples assim.

Posso dizer que o livro se torna interessante na segunda metade, quando podemos conhecer Maud um pouco melhor e temos mais mocinhos e bandidos chegando à trama e, claro, mais segredos.

A trama é boa, não me entendam mal. Eu só acho que, por ser um primeiro livro, ele deveria ser mais introdutório – leia-se explicativo – e não encher minha cabeça com mais perguntas do que respostas. E embora tudo envolva os três garotos, para mim, a personagem mais interessante definitivamente é Maud. Quinn é muito simples, óbvia. Shinobu é uma bagunça e John... bem, John é apenas John. Mas Maud, meus queridos, Maud é um enigma! A responsável por eu gostar do livro foi essa jovem Pavor.

Enfim, tão confusa quanto a minha leitura, está sendo esta resenha, eu sei.

Se gostei do livro como um todo? Não sei. Mas sei que fiquei com sede por respostas e que eu realmente não esperava aquele fim.

Espero que o próximo livro seja mais esclarecedor e que possamos ver um amadurecimento e melhor desenvolvimento dos personagens.

É um livro intrigante e, apesar das minhas expectativas, eu realmente não sei o que esperar do próximo. Veremos.








O feiticeiro de Terramar - Ursula K. Le Guin

Título original: The wizard of Earthsea
Autora: Ursula K. Le Guin
Editora: Arqueiro
Trilogia: Ciclo Terramar - livro 1
Páginas: 176


"Ele sentiu frio. Ao olhar por cima do ombro, viu que havia algo agachado ao lado da porta fechada; uma massa disforme de sombra mais escura que a escuridão. Parecia estender-se na direção dele, murmurar e chamá-lo num sussurro; mas ele não compreendia as palavras."


Terramar é um oceano salpicado de ilhas. As pessoas dessa região são muito desconfiadas a respeito de viajantes e tudo o que eles sabem sobre o mundo se resume ao conhecimento que eles têm sobre sua própria terra e as poucas histórias que ouviram sobre outras ilhas com o passar dos anos. Dentre essas ilhas, há uma chamada Gont, onde vive um jovem chamado Dunny.

Órfão de mãe, o garoto sempre gostou de passar a maior parte do tempo com sua tia, aprendendo os poucos feitiços que ela podia lhe ensinar. Sua habilidade para aprender era notável e, com isso, mesmo com pouca idade ele fora capaz de fazer um feitiço que acabou salvado a vida de seu povo na ilha em que morava.

No dia de seu aniversário de 13 anos, Dunny fora levado por um poderoso mago chamado Ogion para ter seu nome trocado e ser seu aprendiz. A partir daquele dia, ele se chamaria Ged e receberia o apelido de Gavião.

Por algum tempo, Ogion ocupou-se de ensinar a Ged tudo sobre o “equilíbrio”, o conceito de que a mágica pode afetar a ordem natural do mundo se usada de maneira inapropriada.

Cansado de ouvir sempre a mesma coisa e não aprender nenhum feitiço poderoso, Ged pega o livro de feitiços de seu mentor e, inadvertidamente, acaba conjurando uma sombra, que foi banida por Ogion.

Sentindo a impaciência do rapaz para aprender, seu mentor o envia para uma escola de magos na ilha de Roke.

Nessa escola, Ged impressiona seus mestres com sua facilidade em aprender, o que faz com que sua arrogância acabe se destacando. Isso lhe rende um inimigo chamado Jasper e um amigo chamado Vetch, que tenta aconselhá-lo.

Depois de algum tempo, Ged encontra-se adiantado em seus estudos, o que faz com que ele acredite que já é capaz de fazer grandes feitiços. Com esse erro, além trazer a sombra de volta, ele acaba quase morrendo e, por conseguinte, indo embora da ilha de Roke. Têm início aí duas jornadas: a que Ged faz para chegar a sua nova moradia e a que ele faz para chegar dentro de si mesmo.


O ritmo da narrativa é bem rápido. A autora vai de uma situação para a próxima, demorando-se apenas o suficiente para cobrir as coisas essenciais, sem a adição de situações desnecessárias, o que me permitiu ler o livro de uma vez só, e sem perder a qualidade dos momentos introspectivos de Ged. 

Apesar de ser um livro curto, O feiticeiro de Terramar consegue nos passar uma grande lição através do próprio Ged, que está numa batalha constante contra si mesmo, sempre tendo que decidir se vai fugir de seus problemas ou se vai encará-los; se aceitará ajuda, ou se o fará sozinho, levando-nos a descobrir, no fim de tudo, que nosso maior inimigo não é outro senão nós mesmos.

O livro é o primeiro de uma trilogia, o que me faz acreditar que Ged ainda tem muito o que aprender consigo e com sua mágica.


Leitura rápida e recomendada!



Boomerang - Noelle August

Título original: Boomerang
Autora: Noelle August
Editora: Galera Record
Trilogia: Boomerang - livro 1
Páginas: 250


"O protocolo de qualquer transa sem compromisso é ir embora tão rápido quanto chegou, mas ainda não consigo deixá-la partir."


Bem-vindos ao Boomerang.com, o site de relacionamentos voltado para aqueles que querem apenas curtir uma noite, sem compromissos, sem amarras, sem corações partidos.

Mia Galliano é uma aspirante a cineasta. Ethan Vance acabou de jogar seu último jogo de futebol como uma estrela do futebol. Ambos são espertos, famintos por sucesso e partilham um segredo.

Numa noite dessas, Mia e Ethan se conheceram num bar e, bem... uma coisa levou a outra, que os levou a acordarem juntos na manhã seguinte. Eles pouco se lembravam do que havia acontecido e do que haviam feito. Mia sequer se lembrava do nome de Ethan. E nenhum deles se lembrava de onde estavam suas roupas.

Apesar da estranheza inicial ao acordarem, com o passar do tempo ambos começam a se interessar um pelo outro, desejando secretamente que aquela não tenha sido a única noite que tiveram. Eles querem passar mais tempo juntos. Querem se conhecer melhor.

É esse o pensamento que ocupa a cabeça dos dois quando eles estão dentro do taxi que estão dividindo. Ambos estão para começar seu primeiro dia de estágio numa empresa e estão muito empolgados. Só que eles não sabiam que estavam seguindo para o mesmo endereço e para o mesmo estágio na mesma empresa: a Boomerang.

Depois da primeira reunião com o chefe, Mia e Ethan levaram um banho de água fria na sua empolgação amorosa por causa de dois motivos: 1) a Boomerang tem uma política bem dura contra relacionamentos entre colegas de trabalho. É terminantemente proibido qualquer tipo de envolvimento amoroso entre os funcionários, dentro ou fora da empresa. 2) Mia e Ethan descobrem que eles são dois estagiários competindo por uma única vaga de emprego na empresa e que terão que dar o seu melhor para derrubar o outro e ficar com ela.   
Ou seja: acabou o romance entre eles mesmo antes de ter começado.

Quem ficará com a vaga? Eles serão capazes de manter os olhos na vaga e as mãos longe um do outro ou a forte atração que sentem levará a melhor?


Não é novidade aqui que eu não gosto muito de livros do gênero New Adult. Pra mim, assim como as distopias, sempre trazem a mesma fórmula e acaba ficando tudo mais do mesmo (com exceção da minha nova diva Colleen Hoover <3).

Enfim, quando li a sinopse do livro, mesmo sabendo que era um NA, eu achei que seria um livro engraçado. E até é. Mas sabem aquele engraçado de humor americano, que é bem diferente do nosso humor brasileiro (ou pelo menos do meu)? Então... há muitas cenas, sim, que eram para ser engraçadas e que, vez ou outra, me arrancaram UM SORRISO, mas nunca uma risada e muito menos uma gargalhada. 
              
A ideia do começo do livro, tendo Mia e Ethan acordando juntos – e nus – na mesma cama, sem se lembrar do que acontecera na noite passada, e depois ambos se interessando um pelo outro e de repente descobrindo que teriam que brigar por uma vaga de emprego é bem divertida. Mas as ações dos personagens me soaram um tanto forçadas em algumas situações.   

Eu adorei o Ethan! Ele se comporta exatamente como um cara da idade dele e é muito divertido. Mais do que sua perfeição física, me encantei mesmo por sua personalidade. Parecia mesmo uma pessoa real.

Já Mia eu achei um tanto esnobe, de um humor forçado. Ela sabe que é bonita e a modéstia a respeito disso passa longe. E quando se encontra numa situação que é pra ser engraçada, acaba não sendo natural, diferente do que acontece com Ethan.    
 
E tudo isso nós podemos perceber porque a história é contada sob o ponto de vista de ambos. Os capítulos alternam entre os personagens.            
            
A narrativa é rápida, leve e a leitura flui bem. Tanto o romance como a briga pela vaga de emprego são igualmente importantes na trama e isso me frustrou um pouco. Eu gostaria de ter um pouco mais de Ethan e Mia e menos do trabalho, pois eles têm muita química e se importam muito um com o outro desde o começo.

Enfim, não digo que o livro é ruim. Só me frustrei porque eu fui toda cheia de sede pra ler esperando uma coisa e descobri que a trama se tratava de outra totalmente diferente. Eu não estava preparada para isso... rsrs.

No entanto, tenho certeza de que os fãs de New Adult têm tudo para se divertir muito com o livro!




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