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Negociando com os mortos - Margaret Atwood

Título original: Negotiating with the dead
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 255


"Todos os autores são duplos, pela simples razão de que nunca se consegue realmente conhecer o autor do livro que se acabou de ler. Tempo demais transcorreu entre a composição e a publicação, e a pessoa que escreveu o livro agora é alguém diferente. Ou é o que dizem. Por um lado, isso é uma maneira conveniente para o autor livrar-se da responsabilidade, e ninguém deve lhe dar atenção. Mas, por outro lado, é bem verdadeira."


Negociando com os mortos é um delicioso livro sobre a escrita e sobre ser escritor. Na verdade, é a transcrição de uma palestra dada por Margaret Atwood há alguns anos, na Conferência de Epsom, na Universidade de Cambridge.

Usando de sua própria experiência como poeta nos anos 50 em Toronto, ela afirma aos jovens escritores que eles não estão sozinhos em sua assustadora missão de escrever.

Mas este não é um livro com dicas sobre como escrever, e, sim, um livro onde a autora compartilha suas teorias sobre o ofício de escrever, com a ajuda de citações de Platô, Oscar Wilde, John Milton e outros autores.

Em seus capítulos deliciosamente bem escritos e cheios de humor, ela diz achar que as pessoas escrevem para gravar o mundo como ele é, ou para atrair o amor de um homem ou uma mulher, pra servir à Arte, ou, ainda, por vingança e outros motivos mais, e que dois autores nunca escrevem pelos mesmos motivos.

Os 6 capítulos podem até ser lidos como uma introdução aos poemas e às novelas de Margaret Atwood, e o tanto de referências que ela faz é uma delícia para os olhos de nós, que somos leitores, pois são muitas, o que me faz afirmar que este não é livro para ser lido por preguiçosos, uma vez que algumas referências ela explica e outras ela deixa implícito o que quer dizer. Eu mesma anotei o nome de todas para poder ler com calma cada uma delas e, por esse motivo, ouso dizer que tive em minhas mãos uma maravilhosa aula e não um livro.

Eu poderia dizer muito mais a respeito desse livro, mas aí acabaria toda a graça de se descobrir por si só os tesouros ali escondidos.

Deixo aqui apenas a minha recomendação, com a promessa de que, para aqueles que gostam de literatura em geral e da arte da escrita, este é um livro que não pode faltar na estante!





A mulher na cabine 10 - Ruth Ware

Título original: The woman in cabin 10
Autora: Ruth Ware
Editora: Rocco
Páginas: 320

"Apaguei a luz e me cobri, mas não dormi. Em vez disso, fiquei lá deitada de lado, observando o mar subindo e descendo num silencio estranho e hipnótico lá fora das paredes grossas e à prova de som. E pensei: há um assassino neste navio. E a única pessoa que sabe sou eu."


Laura Blacklock é jornalista e trabalha para uma famosa revista de viagens e mal pode esperar para juntar-se a alguns convidados muito importantes na primeira viagem de um luxuoso navio de cruzeiro chamado Aurora. Nessa viagem ela precisa avaliar o navio, suas acomodações e atrações, bem fazer algumas entrevistas. Ou seja, essa é chance que ela terá para provar seu valor como jornalista e ganhar uma promoção.

Porém, dois dias antes de ela embarcar nessa viagem, ela passa por duas experiências muito ruins: Primeiro, seu apartamento foi invadido, ela teve sua bolsa roubada e foi agredida pelo invasor. Depois, no dia seguinte, ela acabou se desentendendo com seu namorado e foi viajar sem saber em que pé ficaram as coisas entre eles.

Para ela, que sofre de ansiedade e precisa de remédios para controlar suas crises, a invasão de seu apartamento foi algo que a deixou bastante insegura e transtornada, mas mesmo assim ela quis seguir viajem e lá se foi rumo ao Aurora.

Já a bordo do navio, as coisas não são muito melhores. O navio é pequeno, com apenas dez cabines cujas proporções deixam muito a desejar. Mas como ela já estava ali e não queria perder a grande chance de ser promovida, Laura não desistiu. Enfrentaria a semana no navio e daria o máximo de si para fazer uma ótima matéria.

O problema era que com o estresse dos dois dias anteriores, mais o fato de ela estar tendo sérios problemas de insônia, Laura estava desesperada para deitar e tentar dormir, mas ela ainda não podia, pois logo haveria uma recepção para os passageiros, seguida de um jantar, e ela não poderia perder aquilo por nada. Assim, ao ouvir barulho na cabine 10, ao lado da sua, ela foi bater à porta da cabine. Se a ocupante fosse uma das mulheres a bordo, ela pediria um pouco de maquiagem emprestada para disfarçar o cansaço. Quem abriu a porta foi uma jovem muito bonita, de cabelo comprido e preto, vestindo uma camiseta do Pink Floyd. Mas, apesar de ser bonita, a moça estava mesmo era com uma cara de poucos amigos. Perguntou muito grosseiramente o que Laura queria e, quando ela disse, a moça foi buscar, entregou a ela e disse que não precisava devolver, fechando a porta em seguida.

Mais tarde, já reunida aos demais passageiros do navio no jantar, Laura nota que a moça que ela conheceu na cabine 10 não estava presente, o que ela achou muito estranho. Mas havia muitas pessoas influentes ali e Laura precisava dar um jeito de conhecê-las. Assim, para passar o sono, ela foi tomando uma taça de champanhe atrás da outra.

Ao final da noite, depois de fazer alguns contatos e conhecer algumas pessoas, Laura poderia finalmente deitar e tentar dormir. E sim, ela conseguiu, mas foi acordada na madrugada com o que parecia ter sido um grito. Depois há um barulho de algo pesado caindo na água, como se fosse um corpo, e o barulho vinha da cabine ao lado da sua, a cabine 10.

Desesperada, ela corre até a varanda de sua cabine para tentar ver o que está acontecendo, preocupada com a moça que conheceu mais cedo, mas ao sair, tudo o que Laura consegue ver é uma mancha de sangue. Ela então chama o segurança do navio e conta a ele tudo o que ouviu, mas quando o leva até a varanda para mostrar a mancha de sangue, não há nada ali, está tudo limpo. E, para piorar, o segurança lhe informa que nunca houve ninguém na cabine 10, ela estava vazia. E quando Laura pede para ver o interior da cabine, depara-se com o local realmente vazio e sem ninguém.

Conversando com Laura, o segurança comenta sobre o tanto que ela bebeu durante a festa e sugere que, talvez, ela tivesse tido apenas imaginado tudo aquilo por causa da bebida, ou então sonhado. Num primeiro momento ela fica muito brava e garante que não, que ela ouviu tudo, sim, e que viu sangue na varanda da cabine ao lado. Mas depois, com o passar do tempo, ela mesma se pergunta se realmente tinha testemunhado aqueles acontecimentos.

E agora? Laura realmente viu sangue na cabine ao lado e ouviu um corpo sendo jogado ao mar, ou foi apenas sua imaginação com um leve toque de bebedeira?
Bem, vocês vão ter que ler para descobrir.




Quando li a sinopse do livro, achei muito interessante e fiquei com muita vontade de ler, pois adoro livros de suspense. Mas, infelizmente, acabei me decepcionando.

Os personagens são rasos, nenhum deles traz uma bagagem, uma história de vida interessante, nada disso. São descritos de maneira bem breve e é apenas com isso que devemos contar.

A investigação que Laura faz por conta no navio é muito malfeita e quase sempre leva a lugar nenhum, mas, mesmo assim, do nada aparecem recados contendo ameaças pra ela onde ela está, mas ninguém nunca vê quem escreveu.

Eu não consegui me conectar com ela em nenhum momento. Além de ser uma protagonista rasa e sem graça, ela é paranoica demais, sempre exagerando terrivelmente a gravidade da coisa. Mas esse exagero não vem apenas dela, mas também da autora em outras situações que não precisavam de tanto, sabem?

E o final, pelo menos pra mim, foi bem previsível. Eu consegui saber bem antes o que estava acontecendo ali.

Então, pelo menos na minha opinião, a promessa de “um thriller de tirar o fôlego” que vem na contracapa é completamente frustrada. A Mulher na Cabine 10 é um livro raso e mal escrito. Mas quero deixar bem claro aqui que é apenas a minha opinião. Eu já li outras resenhas sobre esse mesmo livro e elas foram bem elogiosas.  Mas para mim infelizmente não foi.




Vulgo Grace - Margaret Atwood

Título original: Alias Grace
Autora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 496

“Posso me lembrar do que disse quando fui presa, e o que o Sr. MacKenzie, o advogado, disse que eu deveria dizer, e o que eu não disse nem a ele; e o que eu disse no julgamento, e o que eu disse depois, que também foi diferente. E o que McDermott disse que eu disse, e o que os outros dizem que eu deveria ter dito, pois sempre há quem lhe forneça seus próprios discursos, e os coloque em sua boca por você também; e esse tipo é como os mágicos que podem projetar sua voz, nas feiras e espetáculos, e você é só o boneco de madeira deles. E foi assim no julgamento, quando eu estava na cadeira dos réus, mas bem poderia ser feita de pano, recheada, com a cabeça de louça; e eu estava trancada dentro daquela boneca que era eu mesma, e minha verdadeira voz não podia sair.”


Grace Marks foi uma notória mulher canadense na década de 1840 (e depois disso também), conhecida como uma célebre assassina. Na época, ela tinha apenas dezesseis anos e trabalhava como serviçal em casas de família.
Grace foi acusada de ter sido cúmplice no assassinato do Sr. Kennear, para quem trabalhava, e de Nancy Montgomery, governanta e amante do patrão. Num primeiro momento, ela foi sentenciada à morte por enforcamento, mas depois sua pena foi comutada para prisão perpétua na Penitenciária de Kingston.
O caso de Grace dividiu opiniões. Enquanto uns a odiavam e queriam que ela fosse de fato enforcada, outros acreditavam cegamente na sua inocência e faziam de tudo para tirá-la da cadeia, incluindo protestos e abaixo-assinados.
Isso acabou despertando a curiosidade do Dr. Jordan Simon, que passou a visitar Grace na penitenciária todos os dias, pedindo que ela lhe contasse toda a sua vida até o dia em que havia sido sentenciada, bem como sua passagem pelo manicômio depois disso.
Assim, ela começa a relatar ao médico, dia após dia, todos os detalhes e sofrimentos – que não foram poucos – de sua vida e como tudo isso colaborou para que ela se tornasse a pessoa que é hoje.
A intenção de Jordan era determinar se Grace estava louca na época dos assassinatos, já que ela alega não se lembrar de ter tido qualquer participação nas mortes em si, a não ser pelo fato de ter ajudado o assassino a carregar os corpos.

Afinal de contas, Grace Marks foi culpada ou inocente?
Não sei. Aliás, antes de continuar, devo informar-lhe, caro(a) leitor(a) de que, se você ainda não sabe, esta é uma história real. Ao recontar a história de Grace, Margaret Atwood não alterou nenhum dos fatos já conhecidos, apenas reescrevendo-os na forma de novela.
Continuando, eu ainda não consigo saber o quanto gostei do livro. Para eu me empolgar de verdade com uma leitura, eu preciso me apegar aos personagens, ter empatia por eles, o que não aconteceu com Grace. Não porque ela seja um personagem desinteressante, muito pelo contrário, mas porque ela não permite que nós, leitores, nos aproximemos.
Quem foi Grace Marks? Não sei. Ela não me permitiu conhecê-la. Sei de coisas que lhe aconteceram, de alguns de seus medos e até mesmo alguns de seus pensamentos e desejos. Mas consegui me aproximar dela através desses relatos? Não. Grace Marks só nos revela o que quer revelar, impondo limites sobre até onde podemos, de fato, nos aproximar de sua intimidade.
O livro está muitíssimo bem-escrito, foi o primeiro de Margaret Atwood que eu li e com certeza quero ler outros da autora, mas senti falta da conexão com os personagens – que, na verdade, foram pessoas reais.
Aí, terminando de ler o livro, fui assistir à minissérie em 6 capítulos produzida pela Netflix e, pra ser sincera, a série me ajudou a gostar um pouco mais da história. Apesar de algumas diferenças, posso dizer que a produção se manteve bem fiel ao livro, incluindo a maioria dos diálogos. Gostei bastante da minissérie e recomendo bastante. Ela me ajudou a me sentir um pouco mais próxima de Grace ao vê-la “em carne e osso”.







E, mesmo com a falta de conexão, recomendo a leitura do livro, uma vez que, como eu já disse, a escrita de Margaret Atwood é primorosa e envolvente.



Abaixo, o trailer da minissérie produzida pela Netflix.




Os fantasmas - Cesar Aira

Título original: Los fantasmas
Autor: César Aira
Editora: Rocco
Páginas: 160


“Cada qual era dono do seu andar, da sua garagem e depósito, de acordo, e nada mais: era só o que podiam vender. Mas, ao mesmo tempo, eram donos de todo o edifício.”


Buenos Aires, 31 de Dezembro de um ano qualquer.
Um prédio residencial de luxo está sendo construído no centro da cidade e as obras estão quase chegando ao fim. Na verdade, era para o edifício ser entregue nesse dia, mas, como todas as obras, acabaram tendo alguns atrasos e os compradores terão de esperar um pouco.

Na manhã do dia 31, todos os futuros moradores estão reunidos com o arquiteto responsável pela obra, o decorador e a paisagista, todos tomando medidas e fazendo esboços de como cada apartamento será decorado.

Tudo isso ocorre enquanto os pedreiros estão ali, realizando os últimos trabalhos do dia, ansiosos para que o meio-dia chegue logo para poderem parar, tomar um banho e ir para a casa ficar com suas famílias e preparar-se para a ceia de ano novo.

E também há os fantamas, que vão e vem tranquilamente, acompanhando as decisões das pessoas, ou sentando nas antenas quando se sentem entediados.

Raul Viñas é o meste de obras e o zelador do prédio, e trabalha junto com os demais pedreiros. Enquanto as obras continuam, foi-lhe permitido morar ali no edifício com sua família, no último andar. Todos são chilenos e foram tentar uma vida melhor em Buenos Aires.

Raul e sua esposa têm 4 filhos, dois meninos e duas meninas, sendo a mais velha, Patrícia, filha do primeiro casamento de sua esposa, mas Raul a criou e a ama como a uma filha.

Patrícia tem 15 anos e é muito sonhadora. Adora os romances das novelas às quais assiste e sonha em ter uma vida igual à vida dos personagens que fazem parte de sua vida. Ela é uma menina obediente e sempre ajuda sua mãe a limpar a casa e a cuidar de seus irmãos.

Porém, cada vez mais parece que ela vai se entristecendo, pois ela começa a perceber que sua família não tem nenhuma ambição e estão bem com aquela vidinha quase miserável. Quando acabar aquela construção, Raul vai procurar outra e começará tudo de novo. Não há sinal de mudança, o que a entristece, pois não é essa a vida que ela quer para si.

Uma outra coisa a respeito da menina, é que ela é capas de ver ou ouvir os fantasmas. Na maior parte do tempo ela não liga para eles, nem eles para ela. Mas na tarde do dia 31, uma pequena interação entre eles começa e, em consequência disso, aquela noite ficará marcada para toda a sua família.



Eu nunca havia lido nada de César Aira, por isso fiquei bem curiosa quando li a sinopse do livro e fiz o pedido para a editora. Porém, o romance é bem diferente do que eu havia imaginado.


Toda a história se passa em apenas um dia, começando de manhã e indo até poucos minutos depois da meia-noite, quando acontece a virada do ano.

Eu sei que o autor é muito elogiado na Argentina, seu país, mas, para mim, não vi nada demais em sua escrita.

Nós simplesmente vamos lendo sobre os acontecimentos de um dia corriqueiro nas obras de um edifício e na vida de uma família. A única coisa de “diferente” que há nisso é a presença dos fantasmas, que, na maior parte do tempo, são apenas figurantes.

Os personagens são rasos, não consegui me conectar com nenhum deles. Os pais de Patrícia são bem acomodados e realmente não têm nenhum pingo de ambição na vida. O único personagem que é um pouco mais desenvolvido é a própria Patrícia, mas nem ela consegue ser um personagem interessante. É sonhadora, vive com a cabeça no mundo das novelas e é bem bobona pra idade que tem.

Enfim, Os Fantasmas é apenas o relato de um dia comum na vida de pessoas comuns, com uma pequena interferência do sobrenatural, e com um final que, na minha opinião, deixou a desejar. Não fez muito sentido pra mim.

Mas, é claro, essa é apenas a minha opinião. Já li outras resenhas que falam muito bem do livro e fazem muitos elogios. 



Ofício de escrever - Frei Betto

Título: Ofício de escrever
Autor: Frei Betto
Editora: Rocco (selo Anfiteatro)
Páginas: 175


"Não há crítica, há críticos. Ou seja, cada um lê a partir dos óculos que possui. Não se pode afirmar "a Veja não gostou de tal livro", e sim "não gostou aquele a quem a Veja entregou a obra para criticá-la". Fosse outra pessoa, a Veja teria gostado..."


Frei Betto já escreveu em torno de 60 livros e este é o primeiro dele que eu leio (Shame! Shame! Shame!). Eu gosto muito de escrever, então foi por isso que, ao ler a sinopse do livro, eu fiquei bastante interessada e resolvi solicitá-lo.

Diferente dos livros técnicos, que trazem dicas valiosas sobre como melhorar a escrita, Ofício de Escrever é um livro que traz lindas e profundas reflexões sobre o ato de escrever, que, para Frei Betto, mais do que um simples ofício, é uma missão.

Achei muito linda a maneira com a qual ele começa o livro, descrevendo a importância da escrita na sua vida:

“Escrevo para lapidar esteticamente as estranhas forças que emanam do meu inconsciente. Nada me dá mais prazer na vida do que escrever. Condenado a fazê-lo, tiraria de letra a prisão perpétua, desde que pudesse produzir textos. Aos candidatos a escritor, aconselho este critério: se consegue ser feliz sem escrever, talvez sua vocação seja outra. Um verdadeiro escritor jamais será feliz fora desse ofício.
Escrevo para ser feliz. Bartheanamente, para ter prazer. Sabor do saber. Tecer textos. Tanto que, uma vez publicado, o texto já não me pertence. É como um filho que atingiu a maturidade e saiu de casa. Já não tenho domínio sobre ele. ”

Além de discorrer lindamente sobre a arte de escrever, Frei Betto também aborda a escrita de grandes autores, nacionais e internacionais, como T.S. Eliot, Shakespeare, Adélia Prado, Bartolomeu Campos de Queirós e vários outros. E em todo o livro, de uma maneira poética, ele vai nos deixando maravilhados a cada página. Dá para sentir o quanto ele exerce esse ofício com paixão. Em certo momento ele chega a mencionar que escrever é tão importante e necessário à sua vida, tanto quanto respirar. E ainda vai além:

“Embora a música seja, em minha opinião, a mais sublime das artes, a literatura é a mais sagrada. ”

Frei Betto também fala da beleza das Escrituras e de como é fácil encontrar lindas poesias nos Salmos, no livro Cântico dos Cânticos, no Evangelho de São Lucas e em muitos outros livros da Bíblia.

Enfim, só posso dizer que cada capítulo desse livro é um deleite e que é impossível não se apaixonar mais ainda pela escrita. E para quem não tem vocação para a escrita há vários capítulos sobre a importância da leitura e de como ela tem o poder de transformar a vida e o caráter de uma pessoa.

Só tenho elogios para este livro. Fiquei tão encantada com a escrita de Frei Betto que com certeza vou ler mais livros dele.


Ofício de escrever é um must have na estante de todos aqueles que gostam de ter suas vidas transformadas pelos livros.



O livro de sangue e sombra - Robin Wasserman

Título original: The book of blood and shadow
Autora: Robin Wasserman
Editora: Rocco
Páginas: 384


"Crime, violência, fracasso, medo.Vingança.O Símbolo de um raio que marcava um assassino – isso me levaria a reus, o culpado.O que eu deveria entender daquilo? Qual era o segredo?Que tipo de fracasso era eu, que não conseguia descobrir?


Nora Kane tem 17 anos e sua vida não é das melhores. Há alguns anos seu irmão mais velho morreu num acidente de carro e seus pais nunca superaram a morte dele, o que fez com que cada um se trancasse no seu mundinho e esquecesse que ainda tinham uma filha. E pra piorar, seu irmão havia morrido porque estava sob efeito de drogas, o que fez com que ele causasse o tal acidente, matando também uma das garotas mais queridas da cidade. Por esse motivo, Nora também sofria bullying na escola, sendo tratada sempre como a ”irmã do assassino”.

Assim, quando consegue uma vaga numa escola onde ninguém a conhece, ela tem a chance de recomeçar. A primeira mudança em sua vida é que ela sempre se apresenta como filha única, nunca mencionando que teve um irmão.

Quando ela conhece Chris, ele lhe revela que sabe quem ela é e que conhecia seu irmão, mas ele entende os motivos que a levaram a mentir e lhe diz que vai ajudá-la a manter esse segredo. Chris também a apresenta à sua outra amiga, Adriane (que mais tarde virá a se tornar namorada dele) e os três acabam se tornando melhores amigos.

Algum tempo depois, eles são escolhidos para ajudar um professor na tradução de uma série de documentos antigos e um livro chamado O livro de sombra e sangue. Um outro garoto – Max – é chamado para fazer parte da equipe e assim, enquanto os outros se ocupam com o livro, Nora deve traduzir uma série de cartas antigas, aparentemente sem importância alguma, que estavam no meio dos documentos. 

No entanto, à medida que vai traduzindo, ela descobre que essas cartas podem ser a chave para as misteriosas fórmulas alquímicas que se encontram no livro e que muitas pessoas seriam capazes de matar para consegui-las.


Aí tem início uma grande reviravolta na vida de Nora e ela descobre que sua vida e a de seus amigos correm grande perigo.


Eu ainda não sei muito bem como me sinto a respeito desse livro. Baseada na premissa, eu tinha na minha cabeça que se tratava de um thriller, mas depois de concluir a leitura, vi que faltam muitos elementos comuns nesse gênero, então não posso classifica-lo como tal. Acho que podemos rotulá-lo como um YA de mistério ou algo assim.
Gosto muito do relacionamento da Nora com o Chris, mas quando se trata dela e Max, só a vejo como uma grande idiota.
Voltando à trama, eu tive emoções muito conflitantes. A história contida nas cartas que vão sendo traduzidas por Nora são bem interessantes, mas a suposta existência de um dispositivo capaz de transmitir todo o conhecimento do mundo a uma pessoa e ainda colocá-la em contato direto com Deus, eu achei meio nonsense. Não me convenceu, não. O livro acaba se tornando uma mistura de (pouco) mistério com pitadas de romance e perseguições de sociedades secretas, cujo intuito, além de misturar esses temas, também era nos trazer algo sobre vida, morte e fé, mas, na minha opinião, não deu muito certo. É quase uma trama de Dan Brown adolescente, mas menos interessante.

A história só não funcionou pra mim porque já ando meio saturada com os YAs em geral. Mesmo assim ainda insisti em solicitar esse livro porque a sinopse realmente tinha me fisgado, mas acabou que não era o que eu esperava. No entanto, quem realmente gosta de YAs acho que ficará bem satisfeito(a) com o livro.


Melodia Mortal - Pedro Bandeira e Guido Carlos Levi

Título: Melodia Mortal
Autores: Pedro Bandeira e Guido Carlos Levi
Editora: Fábrica 231
Páginas: 240


"Meu processo, ao investigar um caso, parte da suposição de que, quando eliminamos tudo o que é impossível, aquilo que permanece, ainda que improvável, deve ser a verdade."



Antes de qualquer coisa, preciso dizer que, na minha vida de leitora, li apenas dois livros da série Sherlock Holmes (há muito tempo!), e nenhum do Pedro Bandeira (Shame! Shame! Shame!), embora eu tenha aqui a coleção Os Karas em e-book, ainda intocada. Isto posto, vamos à resenha.

Melodia Mortal, diferente do que eu esperava, nos traz alguns contos narrados por John Watson, médico, e amigo do famoso detetive Sherlock Holmes, nos quais ele relembra de alguns casos “inéditos”, em que o detetive investiga as mortes de grandes famosos da música, como Chopin e outros.

Cada conto é dividido em duas partes: a primeira se passa na época de Holmes mesmo, narrando sobre suas investigações. A segunda, nos dias atuais, onde um grupo de médicos, fãs do detetive, formam a Confraria dos Médicos Sherlockianos (oi?) e discutem as descobertas de Holmes sobre as mortes dos gênios da música, para averiguarem se as suspeitas dele estavam corretas ou se os músicos morreram de uma causa diferente, já que hoje em dia eles têm todos os aparatos da medicina e muito mais informações, o que era bem diferente da realidade do século XIX.


Eu escolhi esse livro justamente pelo motivo que comentei lá em cima, no começo da resenha. Seria meu primeiro contato com a escrita dos dois autores. Na minha opinião, Sherlock está tão arrogante e convencido quanto nos livros de Conan Doyle.

O livro é ok, mas não entrou para minha lista de melhores livros. A parte dos contos que se passa no século XIX, com Holmes e Watson investigando os crimes, é muito boa, mas a outra parte, da confraria dos médicos, eu achei bem sem graça e completamente desnecessária. A conversa entre eles não parece natural, ficou forçada.

Mesmo assim, acho que para quem leu toda a série de Conan Doyle e sentia saudade da dupla famosa, acredito que o livro será muito bem-vindo.



Inesquecível - Jessica Brody

Título original: Unremembered
Autora: Jessica Brody
Editora: Rocco
Trilogia: Unremembered - livro 1
Páginas: 336

"Todo mundo à minha volta tem muita confiança de que um dia vou me lembrar. Que minha família será encontrada, minhas lembranças serão restauradas e minha vida me será devolvida. Infelizmente, porém, não partilho dessa convicção. Não acredito no que eles acreditam com tanto fervor. Porque, por algum motivo, minhas lembranças não parecem temporariamente extraviadas. Parece que elas morreram."


O cenário é familiar: um avião cai e há apenas uma sobrevivente, que não faz a mínima ideia de quem ou de onde ela é. Ela não se lembra de absolutamente nada. Não tem ferimentos e nenhum registro seu foi encontrado em nenhum banco de dados.
Apelidada de Violet por causa de seus olhos incomuns, a misteriosa sobrevivente, de 16 anos, depois de sair do hospital, foi enviada aos cuidados de uma família adotiva já que nenhum parente foi encontrado e ninguém parecia saber quem era ela.
Frustrada por causa da amnésia, ela começa a tentar se lembrar e se apegar a cada mínima coisa que possa ser uma pista para levá-la de volta ao seu passado. Até que ela encontra um garoto misterioso que garante que eles se conhecem e promete que vai levá-la com ele assim que for possível. O problema é que Violet não sabe quem é esse garoto, nem tampouco se pode confiar nele.
Mesmo assim, o rapaz tenta convencê-la de todo jeito de que ele a conhece, que seu verdadeiro nome é Seraphina e que sua vida corre grande perigo.
Sem saber em quem acreditar, ela começa a procurar sozinha por respostas e se vê caçada por vários homens desconhecidos, sem a mínima ideia de para onde correr.

Não preciso dizer que este livro se trata de mais um YA, não é? Só que agora, um YA meio que sci-fi. Eu achava que a história focaria mais na questão de perda de identidade e de memórias, mas, pra variar, isso é apenas um veículo que nos leva à origem de um épico amor adolescente.
Claro que há toda a história sobre a origem e o passado de Seraphina, e como ela conheceu Zen, o tal garoto misterioso, mas o problema é que a história não me convenceu. Mais do que uma trama sci-fi, esta é, mais uma vez, a história de um amor capaz de superar qualquer barreira, incluindo perda de memória e alteração da mente.
O problema é que quando um livro nos apresenta uma heroína com estranhas habilidades (como grande força física e conhecimento prévio de várias línguas), engenharia genética, viagem no tempo e corporações ambiciosas querendo Seraphina a qualquer custo, eu não posso evitar de pensar que gostaria que a trama focasse nisso ao invés de focar em dois adolescentes recitando Shakespeare um ao outro, sabem? Há uma infinidade de coisas interessantes na história que poderiam ser muito bem exploradas, mas não foram.

Inesquecível é o primeiro livro de uma trilogia. Resta-nos aguardar que surpresas nos trará o segundo volume. Espero que seja melhor, pois a trama tem tudo pra ser uma história incrível.


[SORTEIO] "O evangelho de sangue" + "Sangue inocente"


Hey, turma, tudo certinho?
Aqui estou eu com mais um sorteio pra vocês.
Desta vez o(a) ganhador(a) receberá 2 livros em casa! São os 2 livros da trilogia A Ordem dos Sanguíneos. 
Eu já publiquei as duas resenhas aqui no blog e quero dizer que adorei os livros! São eles O Evangelho de Sangue e Sangue Inocente (para ler a resenha dos livros, basta clicar em cada título).

A trama tem mistério, aventura, viagens, segredos apocalípticos e muita ação! Então, quem ganhar irá receber dois super livros em casa!

Vamos às regras?


















Regras

1) Ser seguidor do  O Blog da San  (clique em SEGUIR ao lado direito da página). É necessário ter uma conta de e-mail no Gmail para participar. Todo mundo tem. :) 



2) Ter um endereço de entrega no Brasil.


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Vocês podem se inscrever até dia 22 de Abril de 2017.  O resultado sairá aqui no blog, no dia 23. Dá pra participarem bastante. :)

Boa sorte a todos!




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